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Teoria da Conspiração: as petrolíferas sabotaram o carro elétrico?

Ele está em cena desde o século 19 e teve um boom nos anos 90, mas não engrenou até agora. Alguns acham que seu fracasso foi uma conspiração

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ILUSTRA Tato Araújo

Ele está em cena desde o século 19 e teve um boom nos anos 90, mas não engrenou até agora. Alguns acham que seu fracasso foi uma conspiração das poderosas indústrias de petróleo e automotiva. Será?

1) A estrada era lei

A primeira onda moderna de carros elétricos começou em 1990, com a aprovação de um decreto na Califórnia que obrigava as sete maiores montadoras americanas a investirem em carros não poluentes. Se não obedecessem, seriam banidas do mercado automobilístico do estado. Aceitaram, claro, mas a contragosto

2) Guerra e carros gigantes

A invasão do Iraque pelos EUA, em 2003, estabilizou o preço do petróleo e evitou uma iminente alta global nos combustíveis. Também popularizou carros monstruosos, como o Hummer, um 4×4 baseado em um jipe de guerra nada econômico. Ou seja: o conflito criou uma demanda e uma mentalidade opostas às dos carros elétricos

3) “Você não vai querer um carro assim, né?”

O lobby do petróleo investiu pesado em propaganda negativa contra a autonomia dos elétricos. Para piorar, pesquisas das montadoras perguntavam aos consumidores se eles migrariam para esses modelos se soubessem que a autonomia seria limitada a 160 km – um jeito de enviezar a resposta para “não”

4) Muito longe das vitrines

Os carros elétricos nunca foram produzidos em série, expostos em concessionárias ou vendidos ao consumidor de maneira simples. O EV1, da GM, por exemplo, só podia ser obtido em leasing temporário. As montadoras também proibiram que fornecedoras de peças elétricas divulgassem avanços na tecnologia dos seus produtos

5) Infiltrados no governo

Em 2003, durante o governo Bush, o decreto que obrigava montadoras a investir em carros “limpos” foi derrubado. Curiosamente, Andrew Card, chefe de gabinete de Bush, havia antes sido diretor da American Automobile Manufacturers Alliance na Califórnia, que reúne as sete maiores montadoras de carros do país. E tem mais! O vice-presidente de Bush, Dick Cheney, foi CEO e diretor de conselho da Halliburton, uma gigante do petróleo

6) Alternativas à alternativa

Em vez de investirem nos veículos elétricos (uma tecnologia viável), as montadoras preferiram investir em versões “flex”, movidas a etanol e gasolina, ou na distante tecnologia do motor a hidrogênio. Assim, elas podiam dizer que estavam comprometidas com tecnologias limpas sem realmente mudar o mercado

POR OUTRO LADO…

Conspiração ou paranoia? Você decide

– Para responder às acusações de autossabotagem, em 2006 a General Motors escreveu uma carta aberta em que afirmava que “apesar de investimentos substanciosos” o seu modelo elétrico, o EV1, se provou um “fracasso comercial”

– Na mesma carta, a empresa afirmou que não pôde vender seu carroelétrico no mercado porque não poderia garantir sua operação no futuro

– Em 2009, porém, o novo CEO da GM declarou que um dos maiores erros que ele cometeu na carreira foi “matar” o carro elétrico da empresa, direcionando poucos recursos a seu desenvolvimento

– A GM e outras montadoras de fato investiram em veículos flex, que são mesmo menos poluentes, e híbridos de eletricidade e combustão, populares nos EUA

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FONTES Sites General Motors, Honda, Toyota, Air Resources Board of California, Climate Progress, Winona Renewable Energy, Green Car Reports e Fuelly; jornais The Guardian, The New York Times e The Los Angeles Times; livros The Electric Car: Development and Future of Battery, Hybrid and Fuel-Cell Cars, de Michael Wesbrook, Fuel on the Fire: Oil and Politcs in Occupied Iraq, de Greg Muttit, e The Hype About Hydrogen: Fact and Fiction in the Race to Save the Climate, de Joseph J. Romm; e documentário Who Killed the Electric Car, de Chris Paine