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WhatsApp está tomando o espaço do Facebook, diz estudo

Pesquisa feita pela Reuters revela que a rede social tem perdido popularidade como fonte de notícias - e o app de mensagens está tomando seu lugar

Por Ingrid Luisa - Atualizado em 15 jun 2018, 15h12 - Publicado em 15 jun 2018, 14h59

Em fevereiro deste ano, o jornal Folha de S.Paulo deixou de atualizar sua página no Facebook. Ele tomou essa decisão depois que a rede social reduziu a visibilidade do jornalismo nas páginas dos usuários, priorizando posts de amigos e família. Antes tido como uma das melhores redes para a leitura de notícias, hoje o Facebook vem perdendo essa força, e o novo relatório do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo confirmou essa queda.

A pesquisa ouviu 74 mil pessoas em 37 países. De acordo com o relatório, apenas 23% das pessoas confiam nas notícias lidas através das redes sociais, em comparação com 34% que confiam nos mecanismos de busca. Com relação ao Facebook, seu uso para notícias caiu 9% entre o público adulto e 20% entre os jovens, em relação a 2017. Essa queda se deve, em grande parte, pela preocupação dos usuários com privacidade, fake news e debates tóxicos na rede. A pesquisa foi feita antes da mudança de algoritmo citada acima.

Em compensação, o relatório traz boas notícias para as organizações de mídia que buscam prosseguir com um jornalismo de qualidade e adotaram paywall: o número de pessoas que pagam por notícias on-line cresceu em vários países e as notificações por e-mail e por celular estão ajudando a criar maior lealdade entre os leitores. Novos modelos de negócio, como filiação e doações, também estão começando a ganhar força.

Mas a maior novidade que o artigo traz é a confirmação de que as pessoas estão migrando do Facebook para o WhatsApp para ler notícias. Já vimos o poder desse app recentemente, com caminhoneiros organizando uma greve que parou o país pelo WhatsApp. O uso dele como fonte de notícias triplicou nos EUA, em apenas quatro anos. Mas o fenômeno é maior ainda em países como Malásia (54%) e Turquia (30%), onde é perigoso expressar opiniões políticas livremente em redes abertas.

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Apesar do grande uso da internet, quando perguntados sobre quais veículos passam mais credibilidade, os americanos citaram mídias tradicionais como canais de televisão e o The Wall Street Journal. Veículos criados na era digital ainda deixam as pessoas com um pé atrás: mais da metade dos entrevistados, 54%, disse que desconfia da veracidade do que lê na internet. Isso foi bem maior em países como Brasil (85%), Espanha (69%) e Estados Unidos (64%), onde situações políticas polarizadas são muito discutidas nas mídias sociais. Eleições vem aí. Cuidado com as correntes que você vai compartilhar no WhatsApp.

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