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O que significa dizer que “Mercúrio está retrógrado”?

A astrologia vê significados profundos nesse movimento... Mas, para a ciência, a explicação é bem mais simples.

Dificuldade de comunicação, mal entendidos, confusões. De acordo com os horóscopos espalhados por aí, seria tudo culpa do planeta Mercúrio, que “fica retrógrado” de 9 de abril até 3 de maio.

Mas o que, afinal, significa “estar retrógrado”? O movimento que a astrologia atribui a tanto impacto emocional tem uma explicação simples para a astronomia – e ajudou cientistas do passado a entender como o Sistema Solar funciona.

Movimento retrógrado

Desde a Antiguidade, já temos mapas que mostram o caminho aparente que as estrelas e planetas traçam no céu. Como regra, eles se movem do leste para o oeste. Mas, em diferentes épocas do ano, os planetas pareciam dar ré. No céu, a trajetória fica parecida com um “nó”.

(IAG/USP/Reprodução)

A imagem acima mostra o movimento retrógrado de Marte entre 2009 e 2010. No momento do “laço”, o caminho que Marte traça no céu volta para trás e depois ao movimento normal. Aos poucos, foi possível ver que essa inversão de movimento seguia um padrão e, assim, surgiram modelos para explicar esse fenômeno.

Mas, há muito tempo, desde que ainda existia quem defendesse que a Terra é o centro do Universo, já se sabia que o movimento retrógrado é um movimento aparente. Não passa de uma ilusão de ótica.

Se fosse possível observar o Sistema Solar de fora, veríamos que esse laço não existe: o planeta continua na sua órbita, bonitinho, sem dar ré. O que cria a ilusão é o ponto de vista do observador, que está na Terra.

No tempo do Geocentrismo, foi preciso criar modelos malucos para explicar essa diferença e justificar o que vemos no nosso céu. No entanto, foi só colocar o Sol no centro de tudo que a explicação ficou bem mais simples.


Nesta animação, baseada em um modelo simplificado de Copérnico (na vida real, as órbitas dos planetas são elipses, não círculos perfeitos), dá para entender como o efeito retrógrado acontece.

O Sol é a bola amarela. A azul, a Terra. A bola vermelha retrata um planeta mais distante do Sol que a Terra (como Marte) e a verde, um planeta mais próximo (tipo Mercúrio).

O planeta é que parece estar retrógrado. Já a sombra branca é a forma como aquele planeta é projetado no céu (ou seja, como nós vemos ele daqui).

A órbita da Terra ao redor do Sol não é sincronizada com a dos outros planetas. Quanto mais perto do Sol um objeto está, mais rápida a órbita. Quanto mais longe, mais longa. A ilusão de ótica, portanto, é um problema de ultrapassagem.

Pense em uma viagem na estrada: quando você ultrapassa outro veículo, tem a impressão momentânea de que ele está se movendo para trás. Com Mercúrio (ou Vênus, ou Marte) é a mesma coisa.

Goste ou não de astrologia (e de astronomia!), o movimento retrógrado não é nenhum cataclisma. Só uma ilusão de ótica que você pode ter todos os dias com uma visita à BR.

Todas as animações utilizadas são do site do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP. Para saber mais, confira a página do Instituto dedicada ao tema.