RESPOSTAS

Por que existem canhotos?

por Emiliano Urbim

A razão de algumas pessoas preferirem a mão direita e outros a esquerda é um dos mistérios da ciência. Sério, está ali, ali com "de onde viemos" e "para onde vamos". Ninguém sabe ao certo por que não somos todos ambidestros (as vantagens seriam óbvias) ou, se era para escolher um lado, todos destros de uma vez. O fato é que 10% da humanidade teima em ser canhota, intrigando geneticistas, neurologistas e antropólogos (ver quadro abaixo).

Em 2004, um estudo dos franceses Charlotte Faurie e Michel Raymond defendeu que os canhotos conquistaram a sua cota na marra: por surpreender no combate corpo a corpo, o uso da mão esquerda era favorecido pela seleção natural.

Já na seleção artificial, só desvantagem - até a metade do século 20, por exemplo, só se ensinava a escrever com a mão direita. Volta e meia ainda saem pesquisas dizendo que os canhotos morrem antes, porque a porcentagem deles diminui conforme aumenta a faixa etária. Na verdade, isso é reflexo do antigo preconceito: há menos canhotos entre os idosos porque muitos foram obrigados a ser destros.

Sinistro, muito sinistro
Conheça os principais fatores que influenciam na existência dos canhotos

1. DE BERÇO
Aparentemente, é o fator que mais conta. O irmão gêmeo de um canhoto tem 76% de chance de também ser. Em 2007, pesquisadores descobriram o gene LRRTM1, o primeiro relacionado à preferência da mão esquerda.

2. DO VENTRE
O neurologista Norman Geschwind criou a teoria de que um alto nível de testosterona da mãe durante a gravidez afetaria o desenvolvimento do hemisfério direito do cérebro do feto, aumentando as chances de o nenê nascer canhoto.

3. DA ESCOLA
Além de as escolas favorecerem o aprendizado da escrita com a mão direita, no imaginário ocidental tudo relacionado ao lado esquerdo tinha conotação negativa - tanto que a palavra latina para quem usa a mão esquerda é... sinistro.

 

publicidade

anuncie

Super 339 - Humanos: caem as fronteiras entre nós e os animais Novas descobertas deixam claro: chimpanzés têm idiomas, cultura, fazem política, tecem redes sociais e praticam caridade. Chegou a hora de conferir direitos humanos a eles? Assine a Super Compre a Super

Superinteressante ed. 339
novembro/2014

Humanos: caem as fronteiras entre nós e os animais
Novas descobertas deixam claro: chimpanzés têm idiomas, cultura, fazem política, tecem redes sociais e praticam caridade. Chegou a hora de conferir direitos humanos a eles?

- sumário da edição 339
- folheie a Superinteressante

Você está na área: Cultura

publicidade

anuncie