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Bin Laden – O vilão nº 1 do século 21

Todo mundo já decorou os detalhes da megaoperação que matou Bin Laden em 2 de maio de 2011. O que ainda gera polêmica é: como era o terrorista na intimidade? E quem vai suceder, na Al-Qaeda, o primeiro grande vilão deste século? Nós damos alguns pitacos.

MEU CARRO É DOURADO

AOS 9 ANOS, OSAMA PEDIU UM CARRO DE PRESENTE AO PAI. E GANHOU! MAS ATÉ COMPLETAR A MAIORIDADE, SÓ PODIA DIRIGIR COM A SUPERVISÃO DE UM ADULTO. A PAIXÃO POR CARROS DUROU A VIDA TODA: ELE TEVE ATÉ UMA MERCEDES DOURADA.

ESPELHO ESPELHO MEU

Do alto de seu 1,95 m, Bin Laden era um homem vaidoso. Depois de protagonizar vídeos e fotos em seus esconderijos, sempre conferia o resultado antes de divulgá-los. Certa vez, mandou refilmarem tudo só porque seu pescoço parecia gordo nas imagens.

TREINAMENTO DE GUERRA

Ele pregava que toda a família tinha que estar preparada para resistir às privações no caso de um ataque do Ocidente. Como treinamento, chegou até a levar mulheres e bebês ao deserto para dormir em buracos cavados no chão, tendo apenas terra e folhas para se cobrir.

QUEM MANDA É MAOMÉ

Quase toda a educação que passava aos filhos era rigidamente baseada nos ensinamentos de Maomé: a família deveria viver na maior simplicidade possível, sem luxos como geladeira e arcondicionado. Brinquedos? Nem pensar: as crianças que brincassem com as cabras. Mas bem que Osama continuou trocando de carro…

OMAR, O DESGARRADO

Najwa Bin Laden, a primeira das 6 mulheres do terrorista, teve 4 filhos homens. Louca para ter uma menina, aproveitava as viagens do marido para vestir o caçula, Omar, com vestidos e laços. Depois de mais de uma bronca do marido, ela entendeu o recado: cortou os cabelos do garoto e deu sumiço nos vestidos.

Quem é Gerônimo?
A inspiração para o nome da operação que matou Bin Laden em Abbottabad (Paquistão), “Gerônimo” – codinome secretamente atribuído ao alvo -, veio de um guerreiro apache que comandou a resistência aos assentamentos de colonos nos EUA no fim do século 19. Um dos heróis da formação nacional, o índio andava meio esquecido. E quando voltou à tona foi em clima de confusão: afinal, não ficou muito clara a relação entre seu nome e o vilão do momento. Quem não gostou nada dessa história foi Harlyn Geronimo, bisneto do Gerônimo original, que lutou pelos EUA no Vietnã. Ele pediu explicações formais ao secretário de Defesa Robert Gates sobre o “uso vergonhoso do nome” de seu bisavô e exige um pedido de desculpas “por esse grave insulto”.

Al-Qaeda reloaded
O povo quer saber: o que vai acontecer com a organização terrorista após a morte do seu líder? Cairá no esquecimento? Se espalhará pelo mundo como um vírus? Há até quem diga que ela nunca existiu… Conheça as principais hipóteses:

A) VAI DEFINHAR
Poucos dias após a captura e o assassinato de Bin Laden, o presidente americano Barack Obama declarou que a Al-Qaeda havia sido “decapitada” e que estava fadada à derrota. Para alguns especialistas, sem a figura mítica de seu líder, a organização não passaria de um amontoado de células espalhadas e sem conexão, que não seriam levadas a sério nem sobreviveriam sozinhas.

B) VAI SE FORTALECER
Depois de 11 de setembro, quando Bin Laden passou a se esconder mais do que liderar, a solução encontrada pela Al-Qaeda para sobreviver foi ampliar a rede, montando filiais até em lugares tão improváveis quanto a Suécia – ao ponto de, hoje, ser impossível mensurar o tamanho da organização. Ao contrário do que querem acreditar os americanos, essa descentralização pode ter tornado a organização ainda maior e mais perigosa. Um braço da Al-Qaeda na península Arábica lançou a revista online Inspire, que recruta novos membros e até instrui aspirantes a homens-bombas. Com a assessoria pela internet, nem é preciso ir até o Paquistão ou o Iêmen para treinar. Além disso, os radicais não precisam pedir autorização para atuar em nome do grupo terrorista. O que não podem, segundo a cartilha, é perder uma oportunidade de atacar.

C) QUE AL-QAEDA?

Em seu livro Al-Qaeda: A Verdadeira História do Radicalismo Islâmico, o jornalista inglês Jason Burke defende que essa organização coesa e centralizada sob a liderança de Bin Laden pode nunca ter existido. Para começar, o termo árabe Al-Qaeda tem várias possibilidades de tradução: base, campo, lar, alicerce, pedestal ou até regra, princípio, método. Ou seja, pode ter sido simplesmente aplicado para se referir ao QG das primeiras operações terroristas – ou até ser uma referência à logística das ações. Um dos argumentos que sustentam essa teoria é que logo após a primeira tentativa de atentado ao World Trade Center, em 1993, o governo americano encontrou uma mala cheia de material de treinamento terrorista – entre eles, uma pasta intitulada “Al-Qaeda”, termo que na época foi traduzido como “regras básicas”.

OS SUCESRES

O MENTOR – Ayman al-Zawahiri
Responsável por promover na Al-Qaeda a noção de que só a violência pode mudar a história, o oftalmologista egípcio é o provável “cérebro operacional” por trás do 11 de Setembro. Era o segundo terrorista mais procurado no mundo até a morte de Osama. Acaba de ser promovido ao topo do pódio, com a cabeça valendo US$ 25 milhões.

O APRENDIZ – Saif al-Adel
Esse egípcio lutou contra as forças soviéticas com Osama nos anos 80, foi seu chefe de segurança e é suspeito de envolvimento nos ataques a embaixadas americanas na África em 1998 e de instruir os sequestradores dos aviões de 11 de setembro. Foi nomeado chefe temporário da Al-Qaeda dias depois da morte de Osama.

O PREGADOR – Anwar al-Awlaki
Desde 2007, esse clérigo muçulmano de origem iemenita (mas nascido nos EUA) faz sermões pela internet endossando o uso da violência como um dever religioso e recrutando novos militantes. Seu nome está ligado a uma série de ataques da Al-Qaeda pelo mundo, incluindo os de 2001 nos EUA – mas sua família nega que ele seja terrorista.

O HERDEIRO – Saad Bin Laden
Filho de Bin Laden, ajudou a família a fugir para o Irã em 2001, depois dos ataques de 11 de setembro. Chegou a ser preso por autoridades iranianas em 2003, mas há indícios de que foi solto e de que mora atualmente no Paquistão. Durante a operação de Abbottabad, outro filho de Bin Laden, Khalid, foi morto pelos americanos.