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8 mitos sobre o aborto

Aborto não é problema só da mulher, nem de gente sem-estrutura - e você já paga por ele.

Todo mundo tem uma opinião sobre o aborto, mas pouca gente conhece os fatos que o cercam. Juntamos aqui dezenas de dados sobre interrupção de gravidez para mostrar: aborto é coisa de mulher casada, religiosa, trabalhadora, com filhos, rica e pobre – mas só morre quem não tem dinheiro para fazê-lo com segurança.

 

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(Inara Negrão)

Não é verdade: o aborto é muito comum no mundo inteiro. Juntando legais e ilegais, são 56 milhões ao ano, segundo a Organização Mundial da Saúde. O fato de ele ser proibido em 119 países não quer dizer que não aconteça. A OMS calcula que, entre 2010 e 2014, um quarto de todas as gestações do mundo tenha terminado em aborto voluntário.

No Brasil, 500 mil mulheres interromperam suas gestações em 2015, segundo a Pesquisa Nacional do Aborto. E mais: a curetagem (a raspagem do útero, feita para remover o que sobra depois de um aborto) foi o terceiro procedimento ginecológico mais realizado pelo SUS entre 2014 e 2016 – só perdendo para as cesarianas e cirurgias gerais.

 

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68% das brasileiras usam continuamente algum método contraceptivo. E, segundo o Ministério da Saúde, 50% das mulheres que abortaram no Brasil estavam usando algum tipo de anticoncepcional quando engravidaram. Ou seja, as mulheres engravidam mesmo tentando evitar o filho – já que nenhum método é 100% seguro.

 

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A não ser que estejamos falando da Virgem Maria, gestações só acontecem com a participação de duas pessoas: um homem e uma mulher. Ou seja, a gravidez indesejada é um problema dos homens também. A maior parte das gestações que terminam em aborto, inclusive, são fruto de relacionamentos estáveis.

 

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O aborto é a decisão mais difícil tomada por meio milhão de brasileiras todos os anos. Quem decide interromper uma gravidez – e decide cometer um crime, segundo a lei brasileira -, o faz porque não vê escolha. “A mulher que aborta entra sozinha em um mundo ilegal, que ela não conhece, e precisa comprar os remédios com traficantes ou buscar médicos clandestinos. Ela faz todo o processo sem ajuda. Não é uma situação fácil”, disse Debora Diniz, antropóloga responsável pela Pesquisa Nacional do Aborto (a maior sobre o tema no País), em um evento em São Paulo. Por isso, não adianta proibir – quem quer abortar vai dar um jeito. Peguemos as religiões, por exemplo. O catolicismo, o judaísmo, o espiritismo e algumas correntes do islamismo condenam a interrupção da gravidez. Ainda assim, 88% das mulheres que abortam no Brasil têm religião. A criminalização, na prática, só decide as condições em que o aborto será feito: se será seguro ou não. E se mais – ou menos – mulheres vão colocar as suas vidas em risco.

 

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Você já paga por ele. Abortos ilegais e procedimentos pós-abortos já vão parar no SUS. Quando uma mulher interrompe uma gestação em clínicas sem fiscalização ou com métodos caseiros, as chances são grandes de ela precisar de cuidados médicos. Ou seja, a ilegalidade do aborto gera um custo para os cofres públicos, que não existiria se os procedimentos fossem todos seguros (ou seja, legais). E não estamos falando de pouco dinheiro.

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É verdade que, segundo a OMS, o aborto é a causa da morte de 47 mil mulheres ao ano no mundo inteiro – e de disfunções físicas e mentais de outras 5 milhões, além de ser a razão de internação de 7 milhões. Mas existe um detalhe que muita gente ignora: a interrupção da gravidez só mata quando é realizada de forma insegura, fora dos padrões da Organização Mundial da Saúde. Em países onde o aborto é legalizado, ele é seguro. Nos EUA, por exemplo, a mortalidade dos abortos é de 0,7 morte a cada 100 mil procedimentos. Na Suécia, entre 1988 e 2007, não morreu nenhuma mulher por aborto (embora a taxa por lá seja de 17,5 abortos a cada mil mulheres, uma das mais altas da Europa).

 

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Segundo o Ministério da Saúde, quanto maior a renda e a escolaridade da mulher, maiores são as chances de sua primeira gravidez resultar em um aborto. As mulheres que interrompem a gravidez são, em sua maioria, maduras e esclarecidas. Adolescentes que engravidam de forma indesejada não têm autonomia – financeira e psicológica – para procurar a interrupção.

 

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Passar por uma gestação, dar à luz, olhar para o bebê – e então dá-lo embora é uma decisão ainda mais difícil do que abortar. O Estatuto da Criança e do Adolescente diz que é direito da mãe entregar o filho para a adoção. Mas o Estado tenta manter a criança com a mãe ou com a família. É crime, por exemplo, amigos ou uma família interessada adotarem o bebê sem a participação da Justiça – como costuma acontecer em filmes americanos, tipo Juno.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Joseph Clark Alston

    Site porco defendendo a matança de crianças inocentes…

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  2. Laura Piacentini

    Matéria perfeita, parabens!! As pessoas que sao contra o aborto precisam entender que ninguem vai ser obrigado a abortar!! A descriminalização vai apenas garantir a segurança na saúde (que é um direito de todos) para a mulher fazer um aborto sem riscos. E alem do mais, o aborto nao mata “crianças inocentes”, segundo a OMS para poder fazer esse procedimento, o tempo maximo de gestação são 12 semanas, ou seja, é UM FETO, NÃO UMA CRIANÇA, não foi formado ainda o sistema nervoso, nao há consciencia, é apenas celulas aglomeradas.

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  3. Jaciely Braz

    Matéria maravilhosa!

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  4. Ana Carolina

    Passando para lembrar que: Homem escroto NÃO tem que dar palpite no útero e muito menos nas escolhas da mulher. Vida inocente? hahah Me poupe, por acaso vocês são algum tipo de vidente pra prever o futuro desse feto? E sim, existem crianças malignas, idiotas são os que acreditam que toda criancinha é um anjinho puro e inocente.
    E independentemente de você ser contra, o aborto vai existir e as mulheres vão abortar sim. Parem de hipocrisia e cuidem dos seus úteros e vidas.

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  5. “Joseph Clark” – Idiota porco com nome de gringo usando a boca como ânus.

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  6. Ana Carolina, acredito que se o “homem escroto” for o pai da criança, ele merece dar uma opinião. O filho foi feito pelos dois. O grande problema é: o “homem escroto” não quer ser pai, mas a moça não quer abortar por causa da religião. Bem, vamos obrigar o “homem escroto” a pagar pensão o resto da vida ( talvez por algo que aconteceu por acidente ou simplesmente por acaso ) ou ele nega ser pai e a criança é criada pela mãe e família?

    Talvez esse seja um aspecto a ser muito bem definido DENTRO do relacionamento. Gente de fora realmente não tem que dar opinião.

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  7. Ótima matéria! E não se deixe calar por comentários irrelevantes como o primeiro! Abraços!

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  8. Joaquim Almeida

    Sou contra o aborto, mas não devo querer obrigar outras pessoas a serem também.

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  9. Legal a matéria, foi muito bem feita. Parabéns!!…. Mas o conteúdo é tendencioso, acho que deveria mostrar dois argumentos para formar leitores críticos. Do jeito que tá ficou lavagem cerebral. #CríticaConstrutiva

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  10. Allan Lima o pai não pode decidir se a mãe vai abortar ou não porque a gravidez envolve completamente o corpo dela, e quando a criança nasce ambos os pais tem a obrigação de prover À CRIANÇA, por isso o pai que não tiver a guarda deve sim pagar pensão em obrigação à criança e não à mãe

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  11. Sérgio Domingues

    Discutir aborto tendo nascido é fácil. Gostaria de saber o ponto de vista do abortado.

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  12. Só um idiota para querer saber a opinião do abortado, se ele foi abortado, ele não existe, se ele não existe, ele não tem opinião.

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  13. Fernando Tostes

    até 10 semanas a denominação é embrião e a partir daí feto até nascer
    só pra corrigir a Laura

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  14. Igor Veiga Frota

    Aborto é problema do homem também, aborto acontece o mundo inteiro, aborto mata ou nao a mulher… Nao interessa nenhum dos mitos ou “desmitos” se não levar em consideração de que o aborto legalizado ou não, em clínica especializada ou no quintal de casa SEMPRE SERÁ O ASSASSINATO DE UM CRIANÇA!

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