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Fotos de turistas ajudam a desvendar por que baleias-jubarte ficam paradas com a boca aberta

Cientistas tentam entender o comportamento raro a partir de fotos e vídeos publicados nas redes sociais

Por Bela Lobato 19 Maio 2026, 19h00

As baleias-jubarte se alimentam com as bocas abertas, usando a boca como uma peneira para capturar pequenos crustáceos e peixes. Mas, de vez em quando, elas ficam paradas com a boca aberta, sem intenção clara de se alimentar. O comportamento é conhecido como gaping e sua motivação é desconhecida. Afinal, permanecer nessa posição consome mais energia do que o repouso e não traz benefícios evidentes. 

O gaping não é muito frequente, o que dificulta ainda mais o trabalho dos cientistas que buscam desvendá-lo. A sorte é que, com o advento das câmeras e das várias formas de turismo ambiental, há cada vez mais gente observando baleias. Muita gente acaba fotografando situações que lhes parecem inusitadas e, mesmo sem o foco na pesquisa científica, produzem um acervo valioso para os pesquisadores.

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 Assim, um novo estudo resolveu analisar o fenômeno a partir de registros que já existem nas redes sociais. Assim, a equipe pesquisou palavras-chave no Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, X e Bluesky e encontrou 66 casos de baleias com as bocas abertas em todo o mundo, registrados a partir de barcos, atividades de natação com baleias e drones voadores.

As observações, postadas entre 2014 e 2025, incluíram bocas abertas acima e abaixo da água e envolveram filhotes, juvenis e adultos. O conjunto de dados relativamente grande ajudou os pesquisadores a encontrar alguns padrões entre as baleias com a boca aberta. 

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Seis imagens de baleias-jubarte em diferentes momentos de alimentação, algumas submersas com a boca aberta e outras emergindo da água com a boca escancarada
(Pirotta, V., Taylor, I. A. R., Harcourt, R., & Reidenberg, J. S./Divulgação)

Em geral, as jubartes estavam assim quando não havia comida por perto, e quando havia outras baleias nos arredores. Por isso, o estudo, publicado na revista científica Animal Behavior and Cognition, propõe algumas hipóteses: o gaping pode ser uma forma de comunicação, de alongamento ou de brincadeira. 

“Justamente quando pensamos que sabemos muito sobre as baleias jubarte, percebemos que não sabemos”, diz Vanessa Pirotta, principal autora do estudo, em comunicado. “Os operadores turísticos e os cientistas cidadãos passam horas observando as baleias e são um recurso valioso para registrar e relatar o comportamento desses animais, utilizando as tecnologias de qualidade cada vez maior que muitos de nós temos à disposição.”

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