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A água que está aqui é a mesma que estava ali? Ou: a água sempre foi a mesma e sempre existiu na mesma quantidade?

Sempre acreditei que a água é a mesma no planeta Terra, desde sempre, no mar, nos rios, cachoeiras, nascentes…Evapora e volta como chuva, rio corre pro mar, mas as nascentes continuam etc., etc.etc. Até que um motorista de táxi disse: “a senhora está enganada, a água consumida em cada construção, água misturada ao cimento que se torna massa, não volta para o planeta”. Me deu o que pensar e quero saber a verdade. Cada casa, prédio etc. consome a água e ela permanece na massa… É assim? Então o planeta já não tem o líquido de sempre?

Devo perguntar ao Oráculo? Mas creio que essa resposta, se isso é real, merece uma reportagem, explicação tim tim por tim tim.

Vou aguardar. Um abraço

Ah, sou viciada na Super.

Alzira

cacto

Olha, merecer uma reportagem, merece porque é um assunto fascinante mesmo, uma viagem das bem doidas. Mas já que você escreveu ao Todo Sabedor que Sabe Até O Que os Taxistas Teimam em Saber e não Parar de Falar, vamos à resposta. Em primeiro lugar, Alzira-zira, o piloto do tx estava errado. A quantidade de água que existe no planeta não diminuiu por conta da construção civil por uma questão simples: o cimento endurece à medida que água evapora e – tcharãã – volta à atmosfera.

A quantidade existente na Terra é a mesma desde os tempos mais primórdios (taí-taí). Plantas, animais e, inclusive, você têm água armazenada (cerca de 65% do corpo é H2O, diga-se de passagem). O fenômeno faz parte do ciclo hidrológico, movimento contínuo das águas presentes em oceanos, atmosferas e continentse, explicam os professores Paulo Roberto Moraes, do Departamento de Ciências do Ambiente da PUC-SP, e Luiz Sergio Philippi, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFSC.

Nesse ciclo, a água presente na Terra é sempre a mesma, mas capaz de estar presente em diferentes estados em momentos distintos. Assim, a água das calotas polares que derretem hoje, amanhã evapora para as nuvens, posteriormente vira chuva e volta para o solo, dando início ao seu percurso novamente. Seguindo o mesmo raciocínio, o copo d’água bebido por um indivíduo hoje de manhã evapora pela transpiração à tarde, vai virar chuva e matar a sede de uma plantação de soja daqui algum tempo, dentro de um sistema no qual toda a natureza está interligada.

Vale ressaltar que existem períodos de oscilação desse ciclo, no qual há momentos em que há mais evaporação, mais chuva ou retenção d’água por parte do solo ou das calotas polares. Hoje vivemos uma época em que os três estados estão equilibrados. Nada de Arca de Noé por enquanto.

Mas se a quantidade é sempre a mesma, por que tanta preocupação com a falta d’água no planeta?  “A quantidade de água é a mesma, a qualidade que é diferente. Hoje, estamos perdendo em qualidade”, afirma Philippi. E a poluição é uma das principais culpadas disso.

(f0t0: Kevin Schraer)

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