Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês
Oráculo Por aquele cara de Delfos Ser supremo detentor de toda a sabedoria. Envie sua pergunta pelo inbox do Instagram ou para o e-mail bruno.vaiano@abril.com.br.

Qual é a origem do “ordem e progresso” na bandeira?

As palavras vêm do lema positivista – que, ao contrário do clima reinante em Brasília hoje, era uma doutrina filosófica radicalmente favorável à ciência.

Por Bruno Vaiano 10 set 2021, 18h43

Esse era o lema de uma corrente filosófica do século 19 chamada Positivismo. Ou quase isso: trata-se de uma versão taquigráfica da frase original, “O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim”. O amor ficou de fora.

Os positivistas, capitaneados pelo francês Auguste Comte, acreditavam que o único conhecimento válido é o obtido por meio do método científico, e que esse saber exato deveria substituir a metafísica e a religião como bússola moral da civilização.

A ala intelectualizada das Forças Armadas que participou da Proclamação da República era fã de Comte – até hoje, em Porto Alegre (RS), há um templo dedicado ao secularismo radical Positivista, com os dizeres da bandeira na porta.

Quando dizemos templo, é templo mesmo: na fase mais radical de sua carreira, Comte acabou se perdendo no personagem e fez sua aversão a cultos religiosos se transformar em sua própria religião, a Religião da Humanidade. Ela tem seus próprios sacramentos, símbolos e até um calendário – só não há Deus na jogada, mesmo. Trata-se de uma paradoxal fé agnóstica, que se apoia no altruísmo entre humanos e na ciência como pilares da construção de um mundo melhor.

Hoje, embora a obra filosófica de Comte seja respeitada como parte importante da história da filosofia, nenhum cientista sério se declara positivista, e o aspecto religioso do legado do francês praticamente desapareceu (com exceção de ciclos muito restritos).

Pergunta de @oliveira_marcinho, via Instagram.

Continua após a publicidade
Publicidade