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Se a Terra gira tão rápido, por que as estrelas não passam como borrões no céu? 

Passar rápido não basta: a distância – e algo chamado "resolução temporal" do olho humano – também estão em jogo.

Por Bruno Vaiano Atualizado em 16 jul 2021, 10h12 - Publicado em 14 jul 2021, 11h32

Se um carro passa ao seu lado a 120 km/h, você só vê um borrão. Por outro lado, é possível acompanhar um avião no céu com nitidez, mesmo a 900 km/h. É que o avião está mais distante. 

A mesma lógica se aplica às estrelas. A Terra gira mais rápido que o avião – 1.675 km/h no equador –, mas uma constelação ainda leva a noite toda para percorrer o céu e sumir no horizonte. Não é rápido o suficiente para superar a capacidade do seu olho de distinguir o movimento.

Uma câmera com tempo de exposição longo e definição razoável capta esses borrões facilmente. Fotos do céu em que o obturador fica aberto para entrada de luz por muito tempo mostram claramente o caminho das estrelas. É o que você vê na foto da chamada.

Uma explicação mais detalhada envolve entender por que, quando uma luz passa muito rápido na nossa frente, vemos um borrão. Tudo tem a ver com o limite de frames por segundo que os nossos olhos são capazes de detectar sem confusão – algo chamado “resolução temporal”.

  • É um fato bem conhecido que um vídeo é uma sucessão rápida de fotos chamadas frames. Todo vídeo tem, no mínimo, 12 fotos por segundo (e, geralmente, mais do que isso). É uma taxa de mudança tão rápida que uma foto se funde à próxima, e surge a ilusão de movimento. Não somos capazes de distinguir uma foto da outra.

    Se você já foi numa festa de 15 anos – dessas metidas a baladinha –, vai se lembrar daqueles tubinhos de neon que acendiam em cores fluorescentes. Quando alguém balançava o tubinho no escuro muito rápido, se tornava impossível distinguir o movimento: surgia só um leque de cor fantasmagórico pairando no ar. Um borrão. Esse borrão aparece porque o tubinho está oscilando mais do que 12 vezes por segundo, acima da resolução temporal dos seus olhos.
    Para que as estrelas sofressem a mesma distorção, elas precisariam passar muito mais rápido ou estar muito mais perto. Fique com os tubinhos baladeiros.

    Pergunta de Ricardo Rover Machado, Canoas, RS.

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