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Agora você pode ler a tese de doutorado de Stephen Hawking

Vai encarar? O documento agora está disponível no site de Cambridge, e é parte de uma campanha pelo livre acesso à informação científica

Você é do tipo que tatuou frases de Tchékhov no antebraço? Que zerou Proust no original? Que leva os hexâmetros da Ilíada para o banheiro de tão fáceis? Então chegou a hora de uma mudança de hábito: que tal ler a tese de doutorado do astrofísico Stephen Hawking, terminada em 1966?

O documento – um dos mais importantes da história da física – agora pode ser baixado gratuitamente no site da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Você pode encontrá-lo aqui, mas não fique triste se não conseguir acessar a página de primeira. O banco de teses da instituição não está acostumado a receber um número de cliques tão grande em uma tacada só, e acabou congestionando. Não tire o dedo do F5!

Propriedades dos Universos em Expansão foi disponibilizada ao público a pedido do autor, que apoia iniciativas de acesso aberto. “Qualquer um, em qualquer lugar do mundo deve ter acesso livre não só à minha pesquisa, mas à pesquisa de cada grande mente questionadora de todo o espectro da conhecimento humano”, declarou Hawking. “Cada geração se apoia nos ombros daqueles que vieram antes dela. Eu, quando era um jovem doutorando em Cambridge, me inspirei nos trabalhos de Isaac Newton, James Maxwell e Albert Einstein. É maravilhoso saber quantas pessoas já demonstraram interesse em baixar a minha tese – espero que elas não se desapontem.”

Cambridge aproveitou o ato simbólico de Hawking para pedir a seus 8,6 mil professores, aposentados ou não, que façam o mesmo com suas teses e dissertações. A instituição foi responsável, ao todo, por 98 prêmios Nobel. A partir de outubro, para comemorar a Semana Internacional do Acesso Aberto, todo mundo que completar um doutorado na universidade britânica – eleita a segunda melhor do mundo por alguns rankings – será convidado a doar uma cópia digital de seu trabalho à biblioteca virtual Apollo, que é completamente gratuita.

A Apollo contém 200 mil itens, que incluem 15 mil artigos científicos, 10 mil imagens, 2,4 mil teses e mil bancos de dados. É muito, mas não chega aos pés dos 8 milhões de itens da biblioteca física.

 

O livre acesso à pesquisa científica está em pauta desde a criação do Sci-Hub, um repositório ilegal de artigos científicos pirateados criado pela pesquisadora e ativista cazaque Alexandra Elbakyan. A plataforma é conhecida popularmente como “o Pirate Bay da ciência”.

A atitude radical de Elbakyan reflete a posição de muitos cientistas que não têm problemas com a lei, mas consideram desonesto o modelo de negócio adotado pelas grandes editoras de ciência, como a Elsevier e a Springer. “É óbvio que o Sci-Hub é ilegal”, afirmou o biólogo Stephen Curry à equipe de notícias da Nature. “Mas o fato de que ele é tão popular, dentro e fora da academia, é um sintoma da frustração das pessoas com o status quo das publicações acadêmicas.” A Elsevier, em 2010, lucrou 724 milhões de libras com só 2 bilhões de libras de receita – uma margem de lucro de 36%, e um contraste notável com o Art. 27 da Declaração Universal de Direitos Humanos, que garante o direito de “compartilhar o avanço científico e seus benefícios”.

É claro que, políticas de democratização à parte, há uma grande diferença entre ter a tese de Hawking em seu computador e conseguir entendê-la. É por isso que, se você não é graduado em Física, a SUPER recomenda Uma Breve História do Tempo (Intrínseca, R$ 39,90). O livro, voltado para o público leigo, atesta o talento de Hawking para explicar conceitos complicados de forma simples – e pode te inspirar (quem sabe?) a entrar em uma faculdade de exatas bem cabeludas.

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