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7 frases de Carl Sagan para acalmar os ânimos neste 2º turno

Prometemos GIFs. Muitos GIFs. Acompanhados de frases assustadoramente adequadas ao ano de 2018.

Carl Sagan, o astrônomo e divulgador de ciência mais famoso do século 20, era uma fonte incansável de boas frases para pensar na vida (e GIFs devidamente constrangedores para acompanhá-las). Principalmente quando a chapa esquenta na vida pública.

Curta a seleção da SUPER:

1. “Cada um de nós é, sob uma perspectiva cósmica, precioso. Se um humano discorda de você, deixe-o viver. Em 100 bilhões de galáxias, você não vai achar outro.”

Em outras palavras, a combinação de letrinhas de DNA que corresponde a cada um de nós só ocorreu uma vez na história da civilização. Não existiram (nem existirão) duas pessoas iguais. Outro cientista midiático, Richard Dawkins, escreveu algo parecido na abertura de Desvendando o Arco-íris (1998): “Nós vamos morrer, e isso faz de nós pessoas de sorte. A maior parte das pessoas nunca vai morrer porque nunca vai nascer. As pessoas que poderiam estar aqui no meu lugar, mas na verdade nunca verão a luz do dia, são muito mais numerosas que os grãos de areia da Arábia. Esses fantasmas não-nascidos incluem poetas maiores que Keats, cientistas maiores que Newton. Nós sabemos disso porque o conjunto de pessoas permitido pelo nosso DNA é muito maior do que o conjunto de pessoas que de fato existem.”

2. “A Terra é um palco muito pequeno em uma vasta arena cósmica. Pense nas incontáveis crueldades infligidas pelos habitantes de um canto deste pixel aos habitantes praticamente indistinguíveis de algum outro canto. O quanto seus desentendimentos são frequentes, o quanto eles desejam matar uns aos outros, o quanto são ferventes seus ódios. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores para que, em glória e triunfo, pudessem se tornar os senhores momentâneos de uma fração deste ponto.”

O parágrafo acima é parte do texto mais famoso de Sagan, Pale Blue Dot – “Pálido Ponto Azul”, em tradução livre. Ele é uma reflexão sobre uma foto da Terra com o mesmo título, tirada pela Voyager I em fevereiro de 1990. Na época, a sonda estava a 40,5 unidades astronômicas (UAs) de nós, isto é: 40,5 vezes mais longe do que a distância entre a Terra e o Sol (que já é grande: 148 milhões de quilômetros). Dessa distância, nosso planeta aparece como um pontinho, do tamanho de um único pixel.

3. “O Universo não parece ser nem benigno nem hostil  apenas indiferente.”

Essa é uma questão que perturba os cosmologistas. Por um lado, o Universo é, em alguma medida, um lugar razoavelmente adequado à nossa existência. Em Uma Breve História do Tempo (hoje, aparentemente, é dia de citar todas as celebridades científicas), Stephen Hawking diz: “é um fato notável que os parâmetros numéricos do Universo pareçam ter sido ajustados cuidadosamente para tornar possível o desenvolvimento da vida.”

Vamos pegar um exemplo bastante preciso, dado pelo escritor Anil Ananthaswamy em um artigo escrito para a PBS: um nêutron (um dos componentes do núcleo do átomo) é 1,0013784187 vezes mais pesado que um próton (o outro componente do núcleo do átomo). Essa diferença sutil entre a massa dos dois determinou, na época do Big Bang, a proporção em que os dois elementos mais leves da tabela periódica, hidrogênio e hélio, seriam formados – 76% e 24%, respectivamente. Se o cosmos tivesse vindo de fábrica com excesso de hélio, as estrelas queimariam seu combustível mais rápido, e talvez não durassem tempo o suficiente para permitir o surgimento de vida nos planetas. Lindo. Então quer dizer que a casa foi arrumada para nós?

Bem, não. O Universo nos tolera, no máximo. A zona habitável – isto é, a distância ideal que um planeta precisa manter de uma estrela qualquer para permitir a existência de água líquida e temperaturas amenas é uma faixa estreita. Muitas galáxias têm buracos negros extremamente ativos em seus centros, que liberam doses cavalares de radiação, pouquíssimo amigáveis à vida nas redondezas. E a própria Terra, apesar de ser nossa única opção, não é nossa melhor amiga. Nas palavras de Bill Bryson: “um aspecto curioso da nossa existência é provirmos de um planeta exímio em promover a vida, mas ainda mais exímio em extingui-la. A espécie típica na Terra dura apenas uns 4 milhões de anos”. Nós já vivemos 300 mil. E as perspectivas não são boas.

4. “Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar”.

Aparece no livro de ficção científica Contato, de 1985 (que depois viraria filme nas mãos de Robert Zemeckis, o mesmo diretor de De Volta para o Futuro).

5. “Na ciência, acontece muito de alguém dizer: ‘Quer saber? Esse é um argumento muito bom, minha posição está errada.’ E aí essa pessoa realmente muda de ideia e você não ouve ela repetir a visão antiga.”

Isso foi dito em uma conferência em 1987. Talvez Sagan tenha superestimado (ou melhor, romantizado) a capacidade dos cientistas de abandonarem suas posições diante de bons argumentos. Eles são criaturas racionais, é claro, mas também são humanos, e às vezes se apegam tanto a teorias ultrapassadas que o físico alemão Max Plank chegou a afirmar: “a ciência avança um funeral de cada vez”.

Mesmo assim, a ciência, enquanto empreendimento coletivo, é construída em cima da autocrítica e constante revisão de seus princípios. Se os físicos não tivessem tido a prudência de abandonar visões antigas sobre a natureza do Universo após a revolução promovida por Einstein, coisas tão simples quanto o aplicativo de celular Waze não teriam sido possíveis (entenda). Da mesma forma, um biólogo que abraçasse o criacionismo após Darwin não conseguiria compreender como superbactérias se desenvolvem graças ao abuso de antibióticos.

6. “Ausência de evidência não é evidência de ausência.”

Não é porque não há provas de algo que esse algo não é verdade. Mas é bom ir com calma na dose de ETs do History Channel: Sagan também disse que “alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias”.

7. “Dada a vastidão do espaço e na imensidão do tempo, é uma alegria poder compartilhar um planeta e uma época com Annie”.

“Annie” é Ann Druyan, esposa de Sagan. De fato: o Universo tem 13,8 bilhões de anos e há grandes chances de que seja infinito. Comemore, então, o fato de que você encontrou pessoas que te amam. Por mais brega que isso soe, você tem sorte. Muita sorte.