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A lavoura virtual

Produzir qualquer tipo de alimento, em qualquer lugar do mundo. Essa é a promessa do MIT e seu food computer: um contêiner que simula todas as variáveis de clima e solo.

Por Bruno Garattoni e Eduardo Szklarz Atualizado em 23 abr 2019, 19h21 - Publicado em 21 abr 2019, 18h49

Café colombiano feito na Alemanha. Chá indiano plantado no Brasil. Uvas francesas made in China. É o que promete o projeto OpenAg (“agricultura aberta”) do MIT. Ele está tentando construir food computers – máquinas dentro das quais seria possível reproduzir o clima e as características do solo de qualquer lugar do mundo. “Ele imita o ambiente natural da planta”, diz o pesquisador Caleb Harper, do MIT. “Podemos não apenas simular o clima atual dos lugares, mas projetar o clima do passado e trazer de volta à vida uvas Cabernet do Vale de Napa (Califórnia) de 1982, por exemplo”, afirma.

Isso seria feito controlando variáveis como temperatura, umidade e luminosidade dentro da caixa, e os minerais, acidez e nutrientes da terra usada. A ideia é decodificar, e digitalizar, a “receita” biológica necessária para produzir cada tipo de alimento, e distribuí-la livremente pela internet – daí o nome do projeto. “O objetivo é criar uma ‘Wikipédia dos fenótipos’, em que as receitas serão baixadas e aperfeiçoadas pelos usuários ao redor do mundo”, diz.

Ele criou uma versão pequena da máquina, que batizou de Personal Food Computer (e liberou no site do MIT as instruções para quem quiser construir o seu), e um modelo do tamanho de um contêiner, o Food Server. A ideia é ótima. Mas o sonho de reproduzir qualquer tipo de comida, em qualquer lugar, ainda está distante. Para conseguir isso, seria preciso transplantar também o solo original e seus micróbios – em escala suficiente para produzir o alimento desejado, e sem garantia de que vá dar certo. Isso para não falar nas lavouras que não existem mais (como as uvas da safra californiana de 1982, citadas por Harper), e por isso não podem ser adequadamente estudadas. Acaba dando mais certo, e saindo mais barato, fazer o óbvio: simplesmente importar o que você quer comer.

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