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Abelhas que nascem sabendo

O transplante de moléculas do cérebro de abelhas velhas em embriões desses insetos levou os pesquisadores à constatação de que a maioria desses embriões nasce sabendo o trajeto que os leva à colméia, o que não acontece com outros recém-nascidos.

Há cinco anos, a equipe chefiada pelo psicológico e fisiologista inglês Steve Ray, da Escola Politécnica de Wolverhampton, se dedica a uma paciente e meticulosa tarefa: transplantar proteínas e outras moléculas do cérebro de abelhas velhas para o interior dos embriões destes insetos. Além da perseverança, os cientistas utilizaram uma agulha extremamente fina, capaz de perfurar o crânio da abelha, que mede cerca de 1 milímetro cúbico – pouco maior que a cabeça de um alfinete. O sacrifício foi recompensado: 90% das abelhas nascem conhecendo o caminho que as leva à colméia”, alegra-se Ray. “Nenhuma das outras recém-nascidas que foram colocadas a pouco mais de 1 quilômetro e meio de distância conseguiu voltar para casa.”

Normalmente, os insetos precisam memorizar as cores e as posições de algumas flores para reconhecer o caminho de volta. As abelhas que receberam o transplante começam ainda procurar por comida após sua liberação, enquanto as outras acostumam passar algum tempo ocupadas com afazeres domésticos antes de se lançar à luta pela sobrevivência. “Conseguimos transferir para os embriões os conhecimentos acumulados por uma abelha experiente”, constata o fisiologista, O próximo passo será experimentar o transplante em animais de maior porte, provavelmente peixes-dourados. “imagino que, dentro de dez ou quinze anos, poderemos usar a mesma técnica para curar algumas doenças humanas”, prevê Steve Ray. Por exemplo, pessoas que perdem a falta, em conseqüência de uma pancada na cabeça. Segundo a equipe de Ray, as células avariadas, que hoje são removidas, poderiam ser reinjetadas numa região sadia do cérebro e levar à recuperação da fala.

Aprendizado na colméia

Algumas abelhas recusam néctar ruim, antes mesmo de tocá-lo, quando sentem um cheiro ácido. Mas sabem que a oferta é boa se o aroma for agradável. Testes como esse mostram que a esperteza de cada abelha varia muito, e pode ser adquirida por tentativa e erro, ao longo da vida. Nesse caso, apenas abelhas mais velhas, nas colméias, teriam esse tipo de conhecimento e sairiam para coletar néctar. As mais novas ficariam em casa, cuidando dos favos.