Oferta Relâmpago: Super em Casa por 9,90

Águas-vivas dormem 8 horas por dia, mesmo não tendo cérebro

Padrão parecido com o dos humanos sugere que o sono surgiu junto com os primeiros neurônios do reino animal.

Por Bruno Carbinatto 12 jan 2026, 08h00 •
  • Quem não gosta de uma boa soneca? Até mesmo águas-vivas e anêmonas, animais primitivos que não têm cérebro, dormem cerca de oito horas por dia, descobriu um novo estudo. 

    Esse padrão, bastante parecido com o dos humanos, reforça a hipótese de que o sono surgiu na história evolutiva para, entre outras funções, proteger os neurônios e reparar o DNA dessas células enquanto dormimos.

    Antes, já se sabia que águas-vivas entravam em um estado de inatividade análogo ao nosso sono, mas a nova pesquisa é a primeira a identificar essa característica em anêmonas do mar. O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade Bar-Ilan, em Israel, e publicado no periódico Nature Communications.

    Belas adormecidas

    Dormir é um ato perigoso na natureza: o indivíduo fica extremamente vulnerável a predadores. Mesmo assim, todos os animais com sistemas nervosos apagam por algumas horas todos os dias. Isso significa que o sono tem funções biológicas essenciais para esses seres vivos.

    Não se sabe exatamente quando o sono surgiu na árvore evolutiva da vida, mas uma das hipóteses mais populares diz que a característica apareceu em animais bastante primitivos, que já tinham células nervosas como neurônios em seus corpos, mas não possuíam um órgão centralizado para controlar esse sistema (no caso, o cérebro).

    Continua após a publicidade

    Essa ideia ganhou força nos últimos anos, principalmente após um estudo de 2017 que mostrou que águas-vivas entravam num estado de dormência semelhante ao sono. Esses animais não têm cérebro, apenas uma rede de neurônios interconectada e espalhada por seus corpos gelatinosos.

    O novo estudo reforça a hipótese: os cientistas identificaram que a espécie Cassiopea andromeda, um tipo de água-viva, dorme por oito horas todos os dias, além de encaixar cochilos eventuais na sua rotina. É um padrão bastante parecido com o dos humanos. Os cientistas identificaram o mesmo fenômeno em anêmonas (espécie Nematostella vectensis), que entram num estado de sono por cerca de um terço do dia.

    A explicação mais provável é que, durante o sono, os mecanismos celulares de reparo ao DNA acontecem com mais força do que quando estamos acordados. Por isso o sono parece ter surgido logo quando os primeiros neurônios apareceram no reino animal, há centenas de milhões de anos: para proteger essas células do sistema nervoso, extremamente valiosas para os bichos. 

    Continua após a publicidade

    No estudo, os cientistas notaram que esse reparo do DNA acontecia com mais intensidade quando as águas-vivas e anêmonas dormiam. Quando a equipe induziu mais danos ao genoma, usando radiação, os animais passaram a dormir mais horas. Os resultados indicam que, de fato, a soneca parece ser um mecanismo de proteção às células neurais.

    É provável, porém, que esse não seja o único fator que explique o surgimento do sono entre animais. Outros motivos provavelmente também têm influência. 

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
    Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 14,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).