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Apollo 12: a volta à Lua, só quatro meses depois da 11

O primeiro pouso de alta precisão, e a primeira expedição lunar de dois dias.

A Apollo 11 provou que era possível viajar até a Lua e retornar em segurança. Já a missão seguinte deveria mostrar que o sistema Apollo era sofisticado a ponto de permitir uma alunissagem de alta precisão. Afinal, de que adiantaria obter imagens orbitais do globo lunar para escolher os locais cientificamente mais interessantes, se os astronautas não podiam pousar onde se desejassem para uma investigação mais detalhada?

Primeira missão de tipo H (pós-primeiro pouso) na lista da Nasa, a Apollo 12 tentaria essa descida de precisão, além de permitir estadias de até dois dias na Lua, com duas sessões de caminhadas lunares.

Ficou decidido que o módulo lunar Intrepid deveria pousar nas proximidades do sítio de pouso de uma das missões não tripuladas da Nasa, a Surveyor 3. Se a missão pudesse descer à distância de uma caminhada de um marco tão claro quanto esse, estaria demonstrado que a Apollo podia enviar astronautas a locais escolhidos de forma bastante criteriosa pelos cientistas.

A má notícia é que o local em si, no Oceanus Procellarum, era muito similar ao que Neil Armstrong e Buzz Aldrin viram no Mare Tranquilitatis, o que frustrava quem estava interessado em ciência lunar. Em compensação, a boa notícia é que seria muito interessante ver em que estado estava a Surveyor 3, depois de passar quase três anos na Lua. Partes da sonda poderiam ser trazidas de volta para a Terra para análise mais detalhada.

Os escolhidos para a missão foram o comandante Charles “Pete” Conrad Jr. (já em seu terceiro voo espacial), o piloto do módulo de comando Richard F. Gordon Jr. (em seu segundo voo) e o novato piloto do módulo lunar Alan L. Bean. O trio formava uma equipe muito mais unida e descontraída que a da Apollo 11, e dava para sentir.

Conrad, Gordon e Bean posam para foto antes do lançamento.

Conrad, Gordon e Bean posam para foto antes do lançamento. (NASA/Divulgação)

A decolagem do Saturn V aconteceu em 14 de novembro de 1969, a partir da plataforma 39A do Centro Espacial Kennedy – em meio a uma baita chuva. O foguete chegou a ser atingido por um raio aos 36 segundos de voo, o que deu uma zoada na instrumentação do módulo de comando e serviço Yankee Clipper. Como se não bastasse, um segundo raio golpeou o foguete aos 52 segundos, deixando pirado o indicador de atitude (orientação espacial) do módulo de comando.

A telemetria também estava chegando bagunçada ao controle da missão em Houston. A energia caiu a bordo. A sorte foi que o gerente responsável pela parte elétrica se lembrou de um teste que teve falha de telemetria similar e sugeriu uma solução obscura. Alan Bean conseguiu lembrar do que se tratava, por ter participado de um treinamento que simulou aquela falha.

Não fosse isso, Conrad poderia ter optado por abortar a missão. Graças à intervenção, com a energia restaurada, o voo pôde prosseguir sem problemas.

Três dias e meio depois, a Apollo 12 atingiu a órbita lunar. A separação do Intrepid se deu sem problemas, e Conrad e Bean rumaram para a superfície, enquanto Gordon permanecia sozinho no Yankee Clipper.

A manobra foi feita com toda a precisão desejada: a nave pousou a apenas 183 metros da Surveyor 3. Ao descer a escada e colocar sua bota na superfície, Conrad proferiu as famosas palavras: “Whoopie! Cara, pode ter sido pequeno para o Neil, mas é grande para mim.”

Era tudo parte de uma aposta que o astronauta havia feito com uma jornalista para provar que a Nasa não havia instruído Armstrong a dizer o que ele disse antes de se tornar o primeiro homem a pisar na Lua.

A Apollo 12 levou uma câmera colorida de televisão, mas a transmissão durou pouco. Infelizmente, ao reposicioná-la, Bean acabou apontando-a para o Sol por tempo suficiente para danificar o equipamento.

E não seria a única trapalhada dele. Bean também esqueceria na Lua vários rolos de filme com as fotografias tiradas durante as duas caminhadas espaciais, ambas com pouco menos de quatro horas cada. Ao todo, o Intrepid passou cerca de 38 horas na Lua, antes de decolar para o reencontro com o Yankee Clipper.

Um eclipse solar produzido pela Terra, visto pela Apollo 12 na volta da Lua.

Um eclipse solar produzido pela Terra, visto pela Apollo 12 na volta da Lua. (NASA/Divulgação)

Em um retorno sem problemas, os astronautas tiveram o privilégio de observar um eclipse solar causado pela Terra, e foram resgatados no Oceano Pacífico em 24 de novembro de 1969. Era o fim de um ótimo ano para o programa espacial americano. Mas, como a Nasa logo descobriria, confiança excessiva pode ser extremamente perigosa.