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Por que mulheres têm orgasmos: a razão científica

A sensação seria um subproduto da evolução, e, no passado, tinha função reprodutiva direta em espécies mais simples.

Por Karin Hueck Atualizado em 15 fev 2019, 19h57 - Publicado em 2 ago 2016, 09h00

Por mais bizarro que possa parecer, a ciência até muito recentemente não sabia explicar direito por que mulheres têm orgasmos. Ao contrário do auge masculino, que serve para liberar espermatozóides e dar início ao processo de fecundação, o êxtase feminino ficou séculos sem explicação. Pelo menos até agora.

No orgasmo feminino, músculos se contraem, hormônios são liberados e uma imensa sensação de prazer toma o corpo. Mas todas essas reações fisiológicas não são essenciais para a fertilização dos óvulos — mulheres podem engravidar sem chegar ao orgasmo, por exemplo. Já homens só liberam espermatozóides quando chegam ao auge — e a sensação de prazer faz com que eles sempre queiram repetir a experiência, o que incentiva a reprodução. Mas, agora, um novo estudo olhou de perto para o prazer das fêmeas. De fêmeas de 150 milhões de anos atrás, para ser mais exato, quando o fenômeno começou a existir.

A teoria acredita que o orgasmo feminino nos humanos é um subproduto da evolução que teve função quando surgiu, mas que hoje não ajuda nem atrapalha, o que fez com que a característica não tenha sido eliminada — algo parecido com o que são os mamilos em homens. Para chegar a essa conclusão, cientistas analisaram dezenas de espécies diferentes, de coalas a orictéropos (um mamífero africano parecido com um tatu). “Quando alguém estuda o orgasmo, costuma analisar apenas humanos e primatas. Não olhávamos para outras espécies para descobrir sua origem”, disse ao jornal The New York Times uma das autoras da pesquisa, Mihaela Pavlicev.

  • Em algumas espécies mais simples, as fêmeas não têm um ciclo fixo de ovulação como o nosso — elas liberam óvulos depois de fazer sexo. A relação chega ao ápice e, na sequência, lança um sinal para o cérebro, que manda liberar um óvulo no útero. Nesses animais, também, o clitóris fica dentro da vagina, o que garante o prazer durante a relação. Ou seja, em espécies mais simples, o orgasmo feminino é parecido com o dos homens e garante a fecundação.

    Mas em humanos e em outros primatas, a evolução fez duas alterações importantes: primeiro, criou o ciclo fixo de ovulação nas fêmeas. Isso é consequência de um convívio social intenso. Ao contrário de outros mamíferos, que não convivem com os potenciais parceiros o tempo todo, nós primatas vivemos em grandes sociedades e podemos fazer sexo a qualquer instante, não só para a procriação. Por isso, a natureza desenvolveu o ciclo fixo. Para nós, são em média 28 dias, no qual um óvulo é liberado mais ou menos no meio do período. Isso faz com que não seja o sexo que determine a fertilização, mas o período do mês. Nessas espécies, também, o clitóris saiu de dentro da vagina, o que fez com que nem todas as relações sexuais chegassem ao orgasmo feminino.

    Ainda assim, o hábito de chegar ao êxtase não deixou de existir. E, como o prazer sexual tem uma importante função social – fazer com que você se una ao seu parceiro e procure sempre mais sexo — a evolução não eliminou o orgasmo.

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