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Cientistas ao redor do mundo mostram bastidores de pesquisas no TikTok

A iniciativa da ONU, que conta com pesquisadores brasileiros, busca informar e atualizar o público sobre o desenvolvimento de vacinas para a Covid-19.

Por Carolina Fioratti 26 out 2020, 17h35

A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou uma ação global para mostrar o cotidiano de pesquisadores por meio de uma ferramenta inusitada: o TikTok. A plataforma de vídeos curtos é a favorita dos adolescentes, e geralmente mostra danças, músicas e desafios virais – mas também pode ser usada para divulgar os bastidores da ciência.

A #EquipeHalo conta com cientistas de várias partes do mundo, desde profissionais da Universidade de São Paulo (USP) até professores de Harvard (EUA) e do Imperial College London (Inglaterra). Muitos desses pesquisadores trabalham no desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19. Você pode conhecer a equipe completa no site oficial

A ideia é que eles informem e atualizem o público sobre seus estudos a partir de vídeos curtos e descontraídos. Gustavo Cabral de Miranda, pesquisador do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, é um dos membros brasileiros da equipe. “Estamos vivendo um momento histórico. É a possibilidade dos cientistas chegarem à sociedade”.

Visto que as redes sociais estão entre as principais fontes de desinformação sobre a pandemia de Covid-19, é importante garantir informações confiáveis por meio delas. O projeto busca quebrar com a concepção de que os pesquisadores vivem em um mundo à parte, mostrando o dia a dia dentro dos laboratórios.

  • “As fake news têm prosperado nos últimos anos graças às redes sociais. É de extrema importância que a gente tente fazer o mesmo do lado oposto, levando informações cuidadosas, simples, mas que sejam cruciais para as pessoas”, explica Miranda. O cientista reforça a importância de ouvir o público especializado: “Isso não é opinião, é informação”, completa.

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    A #EquipeHalo começou seus trabalhos há cerca de uma semana, mas já está colhendo os frutos. Um dos vídeos de Miranda mostra o trabalho com a vacina dentro do laboratório e já conta com mais de 80 mil visualizações. Veja abaixo: 

    @gustavocienciacabralVAI TER VACINA SIM SINHÔ 👨🏻‍🔬👨🏻‍💻 ##teamhalo##projetohalo♬ Airplane Mode – Limbo

    O imunologista diz que nunca imaginou dar aulas sobre o tema para pessoas que estão fora da área de ciências biológicas. No entanto, devido ao novo coronavírus, ele já foi convidado a ensinar sobre o assunto para jornalistas. O cientista explica que o público também está buscando entender mais sobre ciência. “Essa pandemia veio para chacoalhar a humanidade, para mostrar que a falta de uma vacina causa um prejuízo humano e financeiro incalculável”, diz ele.  

    A escolha pelo Tiktok, além da praticidade, tem relação com o público alvo do aplicativo. Os usuários são, em sua maioria, jovens. Eles podem se atualizar sobre as vacinas por meio da plataforma e levar o conhecimento para outros membros da família. 

    Miranda lidera a pesquisa de desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus, assim como vacinas para chikungunya e zika vírus, no Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Além dele, Natália Pasternak e Rômulo Neris completam o time de brasileiros na equipe. Pasternak é pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, no Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas (LDV), e diretora-presidente do Instituto Questão de Ciência. Já Neris é pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele estuda a forma como o sistema imune reage ao novo coronavírus. Mais nomes devem se juntar ao time nas próximas semanas.

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