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Cientistas podem ter encontrado DNA em fóssil de dinossauro

Amostras estavam guardadas desde 1980 e podem conter material genético; cientistas encaram possibilidade com cautela

Por Carolina Fioratti 4 mar 2020, 17h24

Pesquisadores podem ter encontrado vestígios de DNA em fósseis de dinossauros da espécie Hypacrosaurus stebingeri. Alida Bailleul, pesquisadora do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia da China e líder da pesquisa, avaliava pedaços de cartilagem do crânio quando notou alguns círculos bem pequenos na peça. Dentro deles, havia um material escuro, lembrando o núcleo, enquanto outros traziam um material todo emaranhado, possivelmente cromossomos.  

National Science Review | Oxford Academic/Divulgação

“Eu não podia acreditar, meu coração quase parou de bater”, disse Bailleul. Os fósseis estavam guardados desde 1980 – ano em que foram encontrados – no Museu de Pedras Rochosas em Montana (EUA). Pertencem a dinossauros que devem ter habitado essa mesma região há cerca de 75 milhões de anos.  

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Mas apesar da descoberta, as informações contidas ali ainda são muito limitadas para que seja possível sequenciar o genoma e obter novas informações – ou seja, nada de Jurassic Park. O DNA mais antigo já decodificado era proveniente do osso de um cavalo encontrado na Sibéria. O fóssil datava de 700 mil anos. 

Para confirmar a identidade do material, Alida e sua equipe marcaram as células com iodeto de propídeo, conhecido por reagir com o DNA mudando sua coloração. Então, alguns pontos tiveram a cor mudada para tons fluorescentes de vermelho e azul. Veja um exemplo na imagem abaixo: 

National Science Review | Oxford Academic/Divulgação

Por outro lado, os cientistas não extraíram o composto das células fósseis para confirmar se aquilo era DNA ou algum subproduto formado pelo material em decomposição. “Eu não quero nem chamar de DNA, pois estou cautelosa e não quero exagerar os resultados”, afirmou a paleontóloga Mary Schweitzer, uma das autoras do estudo, à National Geographic.

“Os novos resultados aumentam as evidências de que as células e algumas de suas biomoléculas podem persistir por um longo período de tempo. Eles sugerem que o DNA pode se manter preservado por dezenas de milhões de anos. Esperamos que o estudo incentive cientistas que trabalham com DNA antigo a pressionar limites atuais e usar novas metodologias para revelar todos os segredos moleculares desconhecidos que os tecidos antigos possuem”, completa Bailleul.

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