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Compre o bilhete e vá pro espaço

Por 31 jul 2004, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h49

Fábio Marton

Pode começar a economizar. Em breve, seus filhos vão querer trocar os passeios na Disney por uma viagem bem mais moderna – e muito mais cara: uma visitinha ao espaço sideral.

Pelo menos é isso o que esperam os empresários americanos da Scaled Composites, uma firma especializada em aviação espacial. No dia 21 de junho, eles lançaram, com sucesso, a SpaceShipOne, a primeira missão espacial de financiamento privado da história.

O piloto veterano Mike Melvill, de 63 anos, tornou-se astronauta em menos de duas horas, tempo médio do vôo, e quebrou o recorde de velocidade para uma aeronave não-governamental.

Mas por pouco tudo não acaba em tragédia. O sistema de controle apresentou problemas e a subida acabou ficando 10 quilômetros abaixo da altitude planejada. O piloto também diz ter ficado muito assustado com um “barulhão” que ouviu na fase da descida. Assim mesmo, a rápida viagem teve um momento de descontração: Mike abriu um pacote de confeitos de chocolate só para vê-los flutuarem no ambiente sem gravidade.

Com este vôo, a Scaled toma a dianteira na luta pelo Prêmio X – instituído por uma ONG americana para a primeira organização privada a levar três tripulantes (ou o peso equivalente) ao espaço e repetir o feito em até duas semanas. O prêmio é de 10 milhões de dólares – metade do que a Scaled gastou com sua nave espacial.

O dinheiro saiu do bolso de Paul Allen, figurão número 2 da Microsoft. Apesar da cifra milionária, levar um homem ao espaço por 20 milhões de dólares pode ser considerado uma pechincha. A primeira vez que isso foi feito, com o Northrop X15, em 1961, foram gastos cerca de 900 milhões de dólares.

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No mundo da Lua

As seis fases de uma voltinha sideral

1. Decolagem

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Altitude: 14,3 km

Tempo: 1h03min para chegar até aqui

Ação: A nave se separa do avião White Knight, a que estava acoplada

2. Motor em uso

Altitude: 14,3 km a 54,8 km

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Tempo: 76 segundos

Ação: O motor começa a funcionar e lança a SpaceShipOne para o alto

3. Sem esforço

Altitude: 54,8 km a 100,2 km

Tempo: 3,5 min

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Ação: Quando a carga do foguete termina, o SpaceShipOne já está fora da gravidade e dá início a uma subida inercial

4. Auge do vôo

Altitude: 100,2 km

Tempo: zero

Ação: Assim que chega ao auge, a nave já começa a descer

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5. Queda livre

Altitude: 100,2 km a 17,3 km

Tempo: 5 min

Ação: Para frear a queda, as asas se inclinam para a frente

6. Planando

Altitude: 17,3 km a 0 km

Tempo: 20 min

Ação: De volta à estratosfera, a SpaceShipOne retoma a posição horizontal e desce planando até o solo

Raio X do foguete

Como funciona a nave privada

Motor a riso

O combustível usado no motor mistura polibutadieno hidroxi-terminado ou, em bom português, borracha sintética e óxido nitroso, mais conhecido como gás hilariante. As substâncias não exigem medidas especiais para armazenamento

Janelinhas

Não é questão de estilo, mas de economia. Fazer um janelão que resista à baixa pressão do espaço sideral é muito caro, então os engenheiros da Scaled optaram por criar várias janelinhas com vidros duplos, algo mais seguro e barato. Não ficou ruim: o piloto Melvill disse ter amado a vista

Trio parada dura

Na cabine, isolada termicamente do motor, senta-se o “astronauta”. Há lugar para mais dois corajosos, como requer o regulamento do Prêmio X. Os controles são acionados pelo próprio piloto, exceto a velocidades supersônicas, quando são acionados eletricamente

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