Chegou o 4.4: Super por apenas 9,90

De dedução em dedução…

Veja como o autor de Alice no País das Maravilhas ensina a raciocinar usando a mesma fantasia de suas histórias.

Por 31 jan 2000, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h51
  • Luiz Barco

    Quem nunca leu ou ouviu as histórias de uma menina chamada Alice, que ora vai ao país das maravilhas, ora viaja através do espelho? Elas foram escritas por Lewis Carroll, um matemático inglês que também deixou uma herança no campo da Lógica. Outro dia, um ex-aluno me apresentou um belo problema, constituído por dez frases de Carroll. Elas contêm proposições, ou seja, premissas lógicas, que, depois de avaliadas, conduzem a uma – e somente uma – conclusão final que não está explícita em nenhuma das frases. A seqüência e as premissas, identificadas por ícones entre parênteses, da lógica de Carroll são as seguintes:

    1) Os únicos animais que existem nesta casa são

    2) Todo animal que é de gosta de contemplar a Lua.

    3) Quando detesto um animal,

    4) Nenhum animal é carnívoro, a não ser que vagueie durante a noite.

    Continua após a publicidade

    5) Nenhum gato deixa de matar ratos.

    6) Nunca nenhum animal falou comigo, exceto quando está nesta casa.

    7) Os canguru não são animais de estimação.

    8) Apenas os animais arnívoro matam ratos.

    9) Eu animais que não me falem.

    Continua após a publicidade

    10) Os animais que vagueiam gostam sempre de contemplar a Lua.

    Luiz Barco é professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

    atematica@abril.com.br

    Continua após a publicidade

    Algo mais

    Lewis Carroll é o pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898). Ele era lógico, matemático e fotógrafo, mas ficou mundialmente conhecido como escritor. Alice no País das Maravilhas foi publicado pela primeira vez em 1865.

    …Você aprende o que é silogismo hipotético

    Avaliar a legitimidade de um argumento não é, em geral, tarefa fácil. Na Antiguidade clássica, os gregos raciocinavam selecionando argumentos sabidamente válidos por meio de regras de inferência, ou seja, regras silogísticas. Há vários tipos de raciocínio silogístico, que consiste em deduzir de duas proposições lógicas uma conclusão nelas implicada. O silogismo de tipo hipotético – aquele que parte ao menos de uma premissa hipotética – pode ser traduzido assim:

    Se um fato “a” implica um fato “b”

    Continua após a publicidade

    E se um fato “b” implica um fato “c”

    Então, o fato “a” implica o fato “c”

    Outra regra de inferência bem interessante, e de que vamos necessitar, é: se “a” implica “b”, então a negação de “b” implica a negação de “a”. Ou seja:

    a => b

    -b => -a (o til indica negação)

    Continua após a publicidade

    Substitua, agora, as proposições lógicas de Carroll por letras e deduza a conclusão dos argumentos. Veja alguns exemplos:

    a = animais que existem nesta casa.

    b = gatos

    Assim, a frase 1 seria:

    a => b

    “Se há animais nesta casa, então são gatos.”

    Ou ainda a frase 3:

    e = animais que detesto

    f = animais que evito

    e => f , o que é equivalente a ~f => ~e

    Aqui, a frase seria: “Se eu detesto um animal, então eu o evito”. Isso equivale a dizer que, se eu não evito um animal, então não o detesto. O que é silogismo puro.Quem sabe é Super

    Teste sua fantasia com este problema.

    Agora é a sua vez. Faça o mesmo com as outras frases, com o cuidado de escrevê-las na forma condicional (se…, então…). Saiba que só existe uma solução para esse problema, pois as frases obedecem a uma única seqüência. Se você pegar uma do meio, terá de descobrir as que vêm antes e as que vêm depois para resolver a charada. Você vai descobrir no final que “eu evito um animal”. Qual é?

    Boa sorte.

    A solução desse problema está na página 97.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
    Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

    Revista em Casa + Digital Completo

    Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 12,99/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).