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Engravidar encolhe o cérebro – e isso pode ser muito bom

A volume de massa cinzenta diminui por pelo menos dois anos - mas esse pode ser um "curso expresso" da natureza de como se tornar uma mãe melhor.

Por Ana Carolina Leonardi Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
21 dez 2016, 15h44 •
  • A gravidez pode ser uma fase tão atribulada da vida quanto a adolescência. Nos dois períodos, atribuímos essa loucura (meio) contida ao turbilhão de hormônios, mas uma pesquisa internacional encontrou outro fator curioso sobre as grávidas: seu cérebro encolhe. E as mudanças duram por pelo menos dois anos.

    Os pesquisadores fizeram ressonâncias magnéticas no cérebro de 25 mulheres que tinham a intenção de engravidar. Depois que elas tiveram o filho, realizaram novos exames. Um grupo separado de mulheres que não teve filhos também foi acompanhado pelo mesmo período, como base para comparação.

    O que os cientistas descobriram é que o cérebro de uma mulher grávida perde massa cinzenta nas áreas responsáveis pela “cognição social”, a nossa capacidade de “se colocar no lugar do outro” e entender a percepção de outras pessoas.

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    Foi a primeira vez que um estudo investigou as mudanças estruturais que ocorrem no cérebro feminino durante a gravidez. Os cientistas seguiram acompanhando as voluntárias e perceberam que as mudanças permaneceram por pelo menos 2 anos depois do parto, com uma exceção: o hipocampo, área responsável pela memória, diminui durante a gravidez, mas volta a crescer em volume depois que a mulher dá à luz.

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    Os pesquisadores ainda não sabem exatamente que células cerebrais diminuem de volume, mas fizeram testes de função cognitiva e a memória e a fala das mulheres permaneceram intactas durante todo o período.

    A percepção dos cientistas é que essa perda de volume cerebral não tem nenhum evidente efeito negativo – pelo contrário, tudo indica que se trata de um upgrade cerebral específico para a maternidade. Primeiro porque outras fases de adaptação levam à queda no nível de massa cinzenta, tanto na adolescência como em períodos específicos da vida, como o início de um relacionamento. O “encolhimento”, neste caso, seria um sinal de que o cérebro está se adaptando ao novo contexto e se especializando para uma função determinada (ser mãe, neste caso, ou ser adulto, no caso dos adolescentes).

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    Em segundo lugar, o próprio estudo encontrou indícios de que a experiência da maternidade está relacionada diretamente com essa perda de massa cinzenta. Os cientistas pediram para as mães passassem por um teste psicológico que avalia o quão conectadas elas se sentem com seus filhos. Quanto maior era o encolhimento do cérebro, maior o apego maternal, segundo a avaliação.

    Ainda faltam evidências que expliquem exatamente como a “mente de mamãe” é modelada por mudanças plásticas no cérebro, mas tudo indica que nosso cérebro evoluiu para se metamorfosear no momento da gravidez, transformando mães de primeira viagem em especialistas na sobrevivência infantil – pelo menos no nível cerebral. Neste quesito, a biologia é bastante desigual: os pesquisadores fizeram ressonâncias com homens antes e depois da chegada do primeiro filho – e os cérebros masculinos não mostraram nenhuma mudança em especial.

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