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Falésias em Marte revelam que antigo rio marciano era turbulento

Imagens feitas pelo rover Perseverance mostram que a cratera Jezero era originalmente um lago abastecido por um rio, e que o fluxo nesse rio aumentou muito em algum ponto do passado.

Por Luisa Costa Atualizado em 8 out 2021, 20h08 - Publicado em 8 out 2021, 19h53

Marte é frio e extremamente árido. Atualmente, não há água líquida no Planeta Vermelho, mas há cerca de 3,7 bilhões de anos o cenário era bastante diferente. A cratera Jezero, por exemplo, localizada no hemisfério norte de Marte, abrigava um grande lago, alimentado por um rio cujo delta desaguava ali. 

Sabemos pouco sobre o lago, mas imagens de alta resolução fornecidas pelo robozinho Perseverance, da NASA, podem ajudar os cientistas. Elas revelam como a água ajudou a moldar a paisagem da cratera há bilhões de anos, além de fornecer pistas que podem guiar a busca por evidências de vida no planeta.

O Perseverance registrou imagens de falésias (paredões de rocha) que antigamente eram as margens do rio, hoje completamente seco. Uma equipe de pesquisadores analisou as imagens em um novo estudo e percebeu afloramentos de rochas que registram a evolução do fluxo de água por ali.

“Isso nos ajuda a entender muito mais sobre o ciclo da água em Marte”, disse Amy Williams, uma das autoras do estudo. “Pelas imagens orbitais, sabíamos que água formava o delta, mas ter essas imagens é como ler um livro em vez de apenas olhar para a capa.”

Camadas inferiores das formações rochosas evidenciaram a presença de um fluxo constante de água na cratera; enquanto camadas superiores e mais recentes apresentam grandes rochas – a maioria com mais de um metro de diâmetro. 

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Isso significa que o lago costumava ser bastante calmo até passar a ser atingido por inundações repentinas e fluxos intensos de água vindos do rio, que carregaram as pedras maiores. Isso significa que, em algum ponto da história geológica de Marte, as chuvas, que costumavam ser mais brandas, se tornaram intensas e capazes de arrastar rochedos bem mais parrudos. 

Além disso, os cientistas também observaram camadas de sedimentos de granulação fina no delta (areia compactada, essencialmente), que provavelmente serão alvo da coleta de amostras do Perseverance – elas são as mais capazes de preservar alguma matéria orgânica e armazenar possíveis sinais de vida do antigo, quente e úmido Planeta Vermelho.

Descobrir se existiu ou não vida em Marte é uma das missões do Perseverance – que, além de registrar imagens do planeta, está coletando amostras do solo e subsolo por meio de um pequeno perfurador.

As amostras ficarão guardadas em tubos hermeticamente fechados no solo do planeta até que outras missões para Marte as resgatem e tragam de volta à Terra para análises em laboratório – o que deve acontecer em algum momento da década de 2030.

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