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Há 76 milhões de anos, esse pterossauro foi mordido por um crocodilo

Fóssil encontrado no Canadá revela os resquícios de um ataque pré-histórico – e, provavelmente, mortal.

Por Bruno Carbinatto
8 fev 2025, 18h00 •
  • Um fóssil encontrado no Canadá conta uma história de predação inusitada: há 76 milhões de anos, um pterossauro foi atacado, e provavelmente morto, por um animal crocodiliano. O pedaço de osso do pescoço contém marcas de mordida que denunciam a cena.

    O fragmento de vértebra foi encontrado em 2023 por pesquisadores da Universidade de Manitoba, no Canadá, e da Universidade de Reading, no Reino Unido. Um novo estudo descrevendo a análise do achado foi publicado na revista Journal of Paleontology.

    Pterossauros (que, apesar do nome, não são dinossauros) foram grandes répteis voadores, de tamanhos e características variadas, que habitaram quase toda a Terra por um longo período: de 220 milhões de anos atrás até 66 milhões. 

    O novo fóssil pertence a um pterossauro da espécie Cryodrakon boreas, da família Azhdarchidae, que reúne alguns dos maiores répteis voadores que já existiram. Os bichos dessa espécie podiam alcançar o tamanho de uma girafa e um comprimento de 10 metros da ponta de uma asa até a outra. O pedaço de osso encontrado, porém, pertencia a um indivíduo jovem, com envergadura de dois metros.

    Em laboratório, os pesquisadores notaram que havia uma marca de mordida num fragmento de vértebra do pescoço. Seria possível identificar o culpado? Sendo um pterossaurozinho jovem, vários possíveis predadores coexistiam com o bicho há 76 milhões de anos, incluindo répteis, mamíferos e dinossauros avianos e não-avianos.

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    Imagens em close-up da vértebra do pescoço de Cryodrakon boreas .
    (Museu Real Tyrrell de Paleontologia/Reprodução)

    Analisando em detalhes o formato da mordida com um microscópio e com tomografia computadorizada, os cientistas concluíram que o assassino provável foi um réptil crocodiliano, com base no formato e no tamanho da perfuração. Esse grupo contém predadores implacáveis, tanto extintos como atuais, conhecidos por comer praticamente de tudo. Não dá para cravar exatamente qual espécie exata, claro, mas é provável que seja uma parente pré-histórica dos crocodilos e jacarés modernos.

    Outros candidatos menos prováveis são o Champsosaurus, um gênero extinto de réptil que se aparecia com um crocodilo, ou algum mamífero não identificado.

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    Dinossauros, por sua vez, foram descartados do grupo de suspeitos. Nenhuma das espécies conhecidas que habitavam o local tinha características bucais que correspondiam à análise.

    É provável que o ferimento tenha sido mortal, já que não havia sinais de regeneração na região afetada. outra possibilidade é que a marca, na verdade, seja fruto de uma mordida feita após a morte, por algum animal que se aproveitou do corpo do réptil voador.

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    Apesar de habitarem uma grande extensão geográfica, fósseis de pterossauros costumam ser relativamente raros, por causa dos seus ossos finos e frágeis, e isso torna a nova descoberta ainda mais especial.

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