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História da ciência:um começo explosivo

Ao perceber que o universo está em constante expansão, a ciência concluiu que tudo se originou de um único ponto.

Por 31 out 2007, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h47
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Texto Salvador Nogueira

Seria exagero dizer que é a idéia mais impactante da história da ciência? O início de tudo. O nascimento do Universo. E tão peculiar quanto sua essência é a sua origem. Quem adivinharia que um dos pilares mais importantes da ciência nasceria do diletantismo de um padre belga?

Pois é. Foi o monsenhor Georges Lemaître o primeiro homem a levar a sério a idéia de que o Universo tivesse um começo, do ponto de vista científico. Partindo da então recente Teoria da Relatividade Geral de Einstein, ele criou, em 1927, a hipótese de um “átomo primordial”, que teria explodido em tempos imemoriais para dar origem a tudo que existe. Einstein odiava a idéia, mesmo sendo uma decorrência quase instantânea da teoria. Ao ser contatado pelo belga, criticou o quanto pôde.

Uma alfinetada do famoso cientista alemão equivalia a uma sentença de morte para uma proposta científica. Ninguém deu muita bola para o pobre Lemaître. Mas sua vingança viria mais cedo do que Einstein ou qualquer outro cientista concorrente poderia imaginar.

Em 1929, um astrônomo americano chamado Edwin Hubble fez uma descoberta intrigante: as galáxias pareciam estar todas se afastando umas das outras. E, quanto mais distantes elas pareciam estar, mais rápido elas se afastavam de nós. Ou seja, o Universo parecia estar se expandindo, em vez de parecer fixo e eterno. Não custou muito para que alguém rebobinasse mentalmente a fita e calculasse as implicações: se hoje em dia tudo está correndo de tudo, num momento passado tudo esteve junto com tudo, no mesmo lugar. E voilà – volta o “átomo primordial” de Lemaître e a noção de um começo cósmico.

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Mas a grande revolução da teoria, que ficaria conhecida como a do “big-bang” (apelido dado por um de seus maiores inimigos, o britânico Fred Hoyle), ainda estava por vir. Pois as equações científicas já permitiam especular sobre como poderiam ter sido os momentos iniciais do Universo.

Ao analisar matematicamente essa maçaroca primordial, em 1948, o pesquisador russo-americano George Gamow, em parceria com Ralph Alpher, obteve duas conclusões impressionantes. Seus cálculos mostravam que os fenômenos ocorridos logo após o big-bang, durante os primeiros instantes da criação, explicavam a composição básica do Cosmos: as proporções de átomos ultraleves de hidrogênio e hélio, os dois componentes mais comuns do Universo desde sempre.

Gamow também previu a existência de uma espécie de “eco” dessa explosão, na forma de uma radiação de microondas, vinda de todos os cantos do Universo. Passaram-se anos até que, por acidente, Arno Penzias e Robert Wilson, dos Laboratórios Bell, descobrissem a tal “radiação cósmica de fundo”. Com esse achado, em 1964, estava confirmada uma das mais espetaculares predições da ciência: ao menos na forma como o conhecemos hoje, o Universo teve um princípio dramaticamente quente e explosivo.

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Pegue o pombo

Penzias e Wilson, descobridore da radiação cósmica de fundo, acharam por algum tempo que a estática correspondente ao big-bang que sua antena estava captando era causada pela queda do cocô de pombos em cima do aparato.

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