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Mais de mil asteroides são descobertos em antigas imagens do Hubble

Esforço popular ajudou a identificar objetos não identificados em antigos registros feitos pelo telescópio.

Por Leo Caparroz 17 Maio 2022, 19h32

Em 2019, um grupo internacional de pesquisadores lançou o Hubble Asteroid Hunter. O projeto – que contava com a ajuda da população – planejava revirar antigas imagens do Hubble para encontrar novos asteroides. Agora, eles compartilharam os seus achados.

Os resultados foram publicados na revista Astronomy and Astrophysics. Os astrônomos examinaram mais de 37 mil imagens, tiradas entre abril de 2002 e março de 2021 pelo telescópio Hubble. No total, 1031 objetos ainda não identificados foram encontrados.

Marcações de asteroides cruzando o céu.
Distribuição dos novos traços descobertos nos arquivos do Hubble; estrelinhas azuis são asteroides conhecidos, enquanto os pontos laranjas são os objetos ainda não identificados. Hubble Asteroid Hunter/Divulgação

“O lixo de um astrônomo pode ser o tesouro de outro,” conta Sander Kruk, primeiro autor do estudo. Essas informações permaneceram escondidas durante muito tempo porque não eram o objetivo principal pelo qual a imagem foi tirada. Imagine que você queira tirar uma foto do mar em um dia lotado na praia. Os banhistas, as pessoas na areia, barcos e guarda-sóis não são seu foco, mas ainda estarão na imagem.

Em outros casos , esses objetos são entendidos como “ruído” e removidos para dar destaque a outros elementos. A pesquisa conduzida por Kruk utilizou as imagens originais que não haviam sido examinadas, a fim de pegar o que muitos deixaram passar.

Foram 1701 traços descobertos em 1316 imagens. Desses, pode ser que um terço já esteja identificado, restando 1031 não conhecidos. “A quantidade de dados em arquivos astronômicos aumenta exponencialmente. Queríamos fazer uso desses dados incríveis,” revela Kruk. 

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Para auxiliá-los com um banco de imagens tão grande, eles recorreram a uma iniciativa que ganha cada vez mais espaço em pesquisas: “cidadãos cientistas”. Ela propõe a participação de pessoas comuns, que não fazem parte da comunidade científica, para contribuir de alguma forma para um estudo. No caso, foi pedido que os voluntários identificassem a presença de um traço de asteroide em uma imagem. Em caso positivo, eles deveriam indicar onde ele começava e terminava.

A página do Hubble Asteroid Hunter teve dois milhões de acessos. 11.482 cidadãos encontraram 1.488 objetos em 1% das imagens do arquivo. Usando essa diretriz, os líderes do estudo treinaram um algoritmo para procurar nos dados restantes. Ao final, foram detectados 2487 possíveis asteroides.

Marcações de asteroides cruzando o espaço.
16 diferentes conjuntos de dados do telescópio Hubble que foram estudados como parte do projeto Asteroid Hunter. Os dados foram identificados por cor, baseados no tempo de exposição. Os tons de azul são a primeira vez que o asteroide capturado foi exposto, e os vermelhos representam a última. ESA/Hubble/NASA/Divulgação

Em seguida, os cientistas só precisaram separar o joio do trigo. Três participantes do estudo colocaram a mão na massa e analisaram as entradas que tinham recebido. Depois dessa filtragem, restaram os 1701 traços descobertos, com 1031 desconhecidos.

Ainda faltam aprofundamentos que comprovem quais desses traços são asteroides e quais são suas órbitas. Nem todos dos 1031 serão confirmados; porém, as amostras já são bem interessantes.

“Asteroides são resquícios da formação do nosso Sistema Solar, o que significa que podemos aprender mais sobre as condições em que os planetas nasceram,” explica Kruk. Entender os asteroides que rondam o espaço pode ajudar a compreender mais sobre a história e o passado do Sistema Solar. 

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