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Não somos a única espécie gay

Textos Reinaldo José Lopes e Maurício Manuel

Você já tinha visto um alce gay? E um molusco, dá para imaginar? Pois é, eles existem. Os cientistas já observaram comportamento homossexual em mais de 1 500 espécies animais, incluindo mamíferos, aves, répteis, peixes, anfíbios, insetos e até vermes nematoides – além de moluscos, é claro. Eis aqui uma verdade com a qual Charles Darwin certamente não contava quando formulou a Teoria da Evolução.

Do ponto de vista evolutivo, homossexualidade no mundo animal parece não fazer nenhum sentido. Afinal, por que gastar energia com uma relação sexual que não vai levar à reprodução? Mas os cientistas que seguiram a trilha de Darwin já encontraram uma série de boas explicações para esse comportamento. Uma delas: dois machos podem manter relação homossexual para cimentar uma aliança estratégica, que os torne menos vulneráveis a predadores. Outra: duas fêmeas podem se juntar para garantir o futuro da prole de uma delas na ausência do macho. É o que ocorre, por exemplo, entre os albatrozes-de-laysan, nativos do Pacífico Norte. Fêmeas abandonadas depois da fecundação se unem a outras fêmeas, que ajudam na criação dos filhotes. Os peixes-mexerica, originais da Ásia, são bissexuais porque não conseguem diferenciar machos de fêmeas. Já entre os bisões americanos, é comum observar machos montando outros machos, para reforçar a hierarquia – o sexo anal, segundo especialistas, está altamente relacionado à dominação nessa espécie.

Cerca de 25% dos cisnes-negros machos elegem indivíduos do mesmo sexo para serem seus parceiros ao longo da vida. Leões, baleias assassinas, girafas e escaravelhos também estão entre as espécies com comportamento gay documentado.