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O abelissauro brasileiro

Um fragmento de dente e outro de ossos maxilar direito, encontrados em 1988 numa pedreira abandonada em Santo Anastácio, a 30 quilômetros de Presidente Prudente, São Paulo, são mesmo de um abelissauro – um dinossauro carnívoro que viveu por aqui há cerca de 80 milhões de anos, no final do período Cretácea. “Pelo aspecto do dente, pelo desenho do fragmento de maxilar, matei na hora que eram de um carnossauro” , diz o paleontólogo Reinaldo Bertini, da Universidade Estadual Paulista, campus Rio Claro, que na época participava de um projeto financiado pela National Geographic Society, com um pesquisador americano e outro francês. Mas foram necessários cinco anos para identificar os fósseis com certeza. É a primeira vez que um bicho desse grupo, só encontrado na América do Sul, na Argentina basicamente, aparece no Brasil. Semelhante ao tiranossauro, o abelissauro é menor, com 5 metros de altura, 7 de comprimento e 8 toneladas. Essa exclusividade sul-americana se explica: entre 160 a 85 milhões de anos atrás (fim do jurássico e quase todo o Cretáceo), o continente ficou isolado dos outros e assim surgiram animais autóctones.