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O átomo mais gordo que já se viu

Por 28 fev 1999, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h51

Físicos nucleares russos e americanos fabricaram um gigante atômico, o núcleo do elemento químico número 114. Trata-se de um novo ingrediente do Universo, já que na natureza existem apenas 92 átomos, como o oxigênio, o ouro ou o carbono. Mas a ciência, aos poucos, está fazendo elementos sintéticos – são sólidos, gases e líquidos nunca vistos que, no futuro, talvez venham a ser usados em tecnologias de ponta. A construção do 114 foi prevista há três décadas pelo americano Glenn Seaborg, que morreu no dia 25 de fevereiro). O átomo contém em seu núcleo 289 partículas chamadas prótons e nêutrons (que logo são rodeados por uma nuvem de elétrons). Nasce assim um átomo bem maior que o urânio, o campeão de obesidade entre os elementos naturais, com 238 prótons e nêutrons. Na experiência, o 114 levou 30 segundos para se desintegrar, o que é uma eternidade nesse tipo de pesquisa.

Na última tentativa de criar a robusta partícula, em 1995, ela durou só alguns milionésimos de segundo. “Conseguimos organizar as partículas muito bem”, explicou à SUPER John Wild, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, um dos autores do trabalho.

A força contra a desunião

O elemento químico 114, construído em laboratório, combina um núcleo de cálcio com um de plutônio.

1. Estilingada

Os físicos usaram um acelerador de partículas chamado cíclotron para lançar núcleos de átomos de cálcio contra núcleos de plutônio.

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2. Trombada

Depois de quaquilhões de tentativas, um núcleo de cálcio, composto de 48 partículas chamadas prótons e nêutrons, bateu de frente com um de plutônio, com 244 componentes.

3. Fusão

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No choque, alguns estilhaços voaram para longe. A maioria das partículas se manteve unida num único corpo. Nasceu, assim, um novo núcleo atômico, contendo 114 prótons e 175 nêutrons.

Quebra, não quebra

Superobeso, o bloco tendia a desmoronar em milionésimos de segundo, gerando radioatividade. Apesar disso, conseguiu resistir por longos 30 segundos.

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Os separatistas

O que ameaçava romper a unidade nuclear era a carga elétrica positiva dos prótons. Com eletricidade de mesmo sinal, eles se empurram para longe uns dos outros.

Os unificadores

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O que evitou a ruptura foi a falta de carga elétrica dos nêutrons. Sem isso, eles não se empurram. Por outro lado, os nêutrons carregam força nuclear, que os mantém colados entre si e aos prótons. Daí a longevidade do 114.

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