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O brilho dourado de Saturno

Ele se aproxima de Deneb Algebi, a estrela Delta de Capricórnio, em condições de ser visto a olho nu

Augusto Daminelli Neto

Logo depois do pôr-do-sol e alto no céu, numa região favoravelmente escura, pobre em estrelas, o planeta dos anéis brilha com bela cor dourada. Embora não seja usualmente dos mais luminosos (está agora com magnitude 0,7), pode ser distinguido a olho nu com relativa facilidade e só se põe depois da meia-noite. Anotando sua posição dia após dia, você o verá se aproximar de Deneb Algedi, a estrela Delta de Capricórnio. Seu movimento avança a leste para oeste, ou seja, ao contrário do sentido geral dos planetas. No dia 28, Saturno estaciona e volta ao sentido normal: de oeste para leste. Está situação perdura até o final do ano, quando o planeta cruza o céu junto com o Sol, durante o dia.

Quem quiser vê-lo com luneta, deve aproveitar enquanto ainda está alto no céu. Nesse caso, sua luz atravessa menos camadas da atmosfera, e o ar sempre perturba, em maior ou menor grau, a qualidade de imagem. Outra vantagem deste mês é que os anéis estão inclinados de 12 graus com relação à linha visada a partir da Terra. Durante todo o ano de 1994, a inclinação será de zero grau e os anéis serão vistos de perfil. Que dizer, ficarão invisíveis. Podem-se obter bons resultados com um luneta de objetiva maior que 60 milímetros e aumento maior que 50 vezes. O diâmetro aparente dos anéis é pequeno, de 40 segundos de arco, devido à enorme distância que nos separa de Saturno em outubro: 1 bilhão e 400 milhões de quilômetro. A imagem abaixo, tomada em 19 de maio deste ano, no LNA/CNPq (o Laboratório Nacional de Astrofísica, em Braópolis, MG), foi obtida com um câmera CCD (chip sensível à luz). Ela dá uma idéia do que você poderá ver com uma boa luneta.

Duas mensagem para o deus da guerra

Por ser o mais veloz dos planeta, Mercúrio simbolizava o mensageiro dos deuses na mitologia grega. Este mês, seu caminho aparente no céu cruza com o de Marte, símbolo do deus da guerra, em duas ocasiões: nos dias 6 e 27. Para distinguir um do outro, note que Mercúrio é o mais brilhante dos dois. Não é sempre que isso acontece.

Mercúrio se aproxima da Lua

Outra oportunidade de localizar Mercúrio é ao pôr-do-sol do dia 16, quando ele fica numa posição a 2 graus do sul da Lua crescente. Embora os observadores inexperientes geralmente tenham dificuldade para visualizar o planeta, o desafio vale apena, mesmo porque as condições são excelentes. Mercúrio está sempre ofuscando, pois nunca se situa a mais de 28 graus de distância do Sol, e só pode ser visto na fraca luz do crepúsculo vespertino ou matutino.

Rara chance de ver Ceres

O maior dos asteróides, Ceres te um diâmetro de 1 025 quilômetros e pode ser visto com um binóculo na constelação da Baleia. Seu brilho agora chegará a magnitude 7,4 (compare com a estrela mais brilhante, Sírius, magnitude 1; quando maior a magnitude, menor o brilho). O motivo é que o asteróide está em oposição ao Sol: ou seja, a Terra se encontra agora entre os dois astros. Munido de um mapa detalhado da constelação da Baleia (ou Cetus), pode-se localizá-lo perto da famosa estrela Mira, que está com magnitude igual à do asteróide. Os asteróides, é bom lembrar, são corpos situados em órbita solar; o maior conjunto deles fica entre Marte e Júpiter. Fotografias tomadas com intervalos de alguns dias revelam a passagem de Ceres como um pontinho brilhante entre as estrelas.

Planetas

Mercúrio: Surge no horizonte oeste logo após o ocaso (magn. 0,0);

Vênus: visível no horizonte oeste ao amanhecer (magn. -3,9);

Júpiter: invisível este mês (magn. +1,5);

Saturno: visível em Capricórnio até a meia-noite (magn.+0,7);

Urano, Netuno e Plutão: não são visíveis a olho nu.