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O sapo que levita

Por
31 mar 2004, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h46
  • Débora Mamber

    Pergunte ao seu professor de Física se é possível magnetizar um bicho vivo. Provavelmente, ele vai afirmar que “não”. Mostre, então, essa empolgante experiência realizada por Andre Geim, da Universidade de Nijmegen, na Holanda. Para espanto da comunidade científica, ele ultrapassou as fronteiras da Física de Sólidos: fez um sapo levitar. O feito foi atingido graças a um aparelho capaz de criar um campo magnético até mil vezes mais potente que um ímã comum. A força produzida é suficiente para vencer a gravidade, fazendo com que o sapo (que estava vivo) flutuasse no ar de forma relativamente estável. Ao saber da conquista singular, Michael Berry, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, procurou o colega. Afinal, ele tinha um estudo sobre a Física do levitron, brinquedo que usa uma base magnetizada para fazer flutuar pequenos objetos. “Ficamos surpresos ao notar que 90% dos professores com quem falávamos não acreditavam que não estávamos brincando”, dizem os dois. O sapo entrou na jogada justamente para chamar a atenção, pelo apelo popular. “Ele é um animal, na essência, não-magnético, mas se torna magnetizado por um processo conhecido como diamagnetismo induzido”, explica Geim. Os físicos sabem que é impossível manter um corpo estacionário só com a força da gravidade e uma força magnética. Por que, então, o bicho não escapa da área magnetizada e se espatifa no chão? “Porque o sapo não é um corpo estacionário”, diz Berry. “Existe uma circulação permanente de elétrons dentro de seu corpo.”

    Isso prova, ao menos do ponto de vista teórico, que também é possível fazer um ser humano levitar. Tal qual os sapos, somos feitos essencialmente de água. Berry especula: “Não há por que acreditar que essa experiência possa ser especialmente perigosa ou dolorosa. Desde já me ofereço como voluntário.” O trabalho sobre a levitação do sapo foi publicado no European Journal of Physics e rendeu aos professores o prêmio Ig Nobel em 2000. No discurso de agradecimento, Andre Geim disse que o que mais o deixou feliz e orgulhoso foram as cartas que recebeu de crianças afirmando que pretendem ser cientistas graças a essa pesquisa.

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