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O Sol pode ser capaz de produzir erupções catastróficas

Emissão gigante de partículas poderia destruir a civilização

Por Fábio Marton
Atualizado em 4 nov 2016, 19h05 - Publicado em 8 dez 2015, 13h45
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    Todo mundo já teve o dia de pegar um giz de cera e desenhar o Sol como uma carinha feliz. Mas o fato é que nossa estrela é bem ranzinza.  Com uma frequência que varia entre minutos e semanas, partes da superfície solar entram em erupção, emitindo uma tempestade de partículas para o espaço – geralmente acompanhadas de espetaculares ejeções de massa coronal: os “tentáculos” como da foto acima.

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    Isso é um fato da vida desde sempre e, até hoje, nenhuma dessas erupções causou mais que problemas regionais e ligeiros. Mas talvez sejamos apenas sortudos. Um estudo da Universidade de Warwick (Reino Unido) comparou o Sol à estrela binária KIC9655129, que produz erupções milhares de vezes mais potentes que as dele. A conclusão é que a física das emissões aqui e lá é a mesma, e que não há nada que impeça o Sol de ter uma supererupção a qualquer momento.

    Uma erupção solar média emite o equivalente a 100 milhões de bombas nucleares de 1 megaton.  Uma supererupção poderia chegar a 100 bilhões. “Estrelas muito parecidas com o Sol foram observadas produzindo imensas erupções, chamadas de supererupções”, afirma Chloë  Pugh, condutora do estudo. “Se o Sol produzisse uma supererupção seria desastroso para a vida na Terra”.

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    A catástrofe, porém, não é exatamente como você deve estar imaginando. Numa tempestade solar, a maioria da energia não vem na forma de luz visível. Quer dizer que não seríamos fritos pelo Sol. O que aconteceria, numa simulação da Nasa, viria em três fases: primeiro, chegando à velocidade da luz, uma imensa emissão de raios-x e ultravioleta, que ionizaria a camada superior da atmosfera e interferiria com sistemas de rádio e GPS. Logo depois, uma emissão de fótons e elétrons, que poderia destruir alguns satélites. E, mais ou menos um dia depois, a ejeção de massa coronal, uma quantidade colossal de plasma. Isso atingiria a superfície, induzindo eletricidade em fios e transformadores, destruindo as centrais elétricas e outros equipamentos grandes.

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    Celulares e computadores, sem tamanho suficiente para serem destruídos por indução eletromagnética, poderiam sobreviver. Mas seriam inúteis. Por semanas, talvez mesmo meses ou anos, as pessoas ficariam sem eletricidade e comunicação. Seria como uma volta instantânea ao século 18. A civilização, se não entrasse em colapso, levaria décadas para se recuperar.

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    Aliás, em 2012, escapamos por pouco de uma tempestade solar que podia ter causado exatamente isso. Essa foi a simulação da Nasa. Sorte nossa que a Terra estava do lado errado (ou certo) do Sol. Em 1859, uma erupção fritou todos os telégrafos – houve casos até de máquinas pegando fogo.

    Pelo lado positivo, teríamos auroras boreais – que são causadas pela ionização da atmosfera – como nunca vistas antes. Vamos deixar combinado: em caso de supererupção solar a gente passa a postar usando mimeógrafo.

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