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Qual foi o som mais alto da história?

Sim, existe um "som mais alto da história". E deu para ouvir a cinco mil quilômetros de distância da fonte.

Por Alexandre Versignassi Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
28 dez 2018, 17h20 • Atualizado em 12 mar 2024, 10h52
  • No dia 27 de agosto de 1883, pastores de ovelhas da região de Alice Springs, na Austrália, ouviram dois tiros de rifle vindos do noroeste. Mas não havia sinal do atirador. É que o som vinha de além do horizonte: 3,5 mil quilômetros além. Era a erupção mais devastadora do Krakatoa, o vulcão na Indonésia.

    O som viajou por quase três horas na atmosfera até chegar aos ouvidos dos pastores australianos, e foi parido numa explosão de 200 megatons (13 mil bombas de Hiroshima). A maior bomba atômica de todos os tempos, a Tsar, que a URSS testou em 1961, tinha 58 megatons.

    krakatoa
    Litogravura do século 19 mostrando a erupção do Krakatoa, em 1883 – uma bomba atômica natural. (Litografia: Parker & Coward/Wikimedia Commons)

    Vieram mais relatos de outros lugares. Nas ilhas Andamão (Índia), a 2 mil quilômetros do Krakatoa, registraram a ocorrência de “sons extraordinários”, que “soavam como armas de fogo”. Nas Ilhas Maurício, a 5 mil quilômetros de distância, relataram “sons vindos dos leste, que pareciam o rugido distante de alguma arma pesada”.

    É como se um estrondo no Recife pudesse ser ouvido em Lisboa, a 5,8 mil quilômetros de distância, e em Buenos Aires, 3,7 mil quilômetros a sudoeste.

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    Para quem estava mais próximo, a experiência foi bem mais intensa, claro. “As explosões foram de tal violência que estourou os tímpanos de metade da minha tripulação. Só conseguia pensar na minha esposa: achei que fosse o dia do Fuízo Final”, escreveu o capitão do navio britânico Norham Castle, que navegava a 70 quilômetros do Krakatoa na hora da erupção.

    E quem estava muito mais próximo que isso não sobreviveu para contar sua história: a erupção deixou 36 mil mortos.

    Para ter uma ideia de como foi a onda sonora, vale ver este vídeo aqui embaixo, com o estrondo eruptivo de um vulcão em Papua Nova Guiné, na Oceania. Preste atenção na atmosfera sobre o vulcão. Dá para ver claramente a onda de choque se formando.

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    https://www.youtube.com/watch?v=BUREX8aFbMs&feature=youtu.be

    Os registros barométricos da época indicam que o som tinha 172 decibéis a 150 quilômetros do vulcão. Parece pouco. Uma britadeira na orelha, por exemplo, emite 100 decibéis, e não chega a parecer do dia do Juízo Final. Mas não: a escala dos decibéis é exponencial. Você percebe um aumento de 10 decibéis como se fosse o dobro do volume. Se você pudesse ficar ao lado de uma turbina de avião (sem o isolamento da cabine do avião para proteger os seus ouvidos), ouviria um som de 150 decibéis. 172 é mais do que o dobro do dobro disso. Como escreveu a revista Nautilus sobre o assunto:

    “172 decibéis é algo tão absurdamente alto que roça nos limites daquilo que podemos chamar de ‘som'”.

    Durma-se com um barulho desses.

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