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Pesquisa brasileira mapeia fauna do fundo do mar da Antártida

O mapeamento da fauna da Enseada Martel, onde fica a Estação Antártica brasileira, é essencial para o monitoramento dos impactos das mudanças climáticas.

Por Bela Lobato
7 dez 2024, 19h00

A Antártida é um dos locais que mais sofre com os impactos das mudanças climáticas. No continente gelado, o aquecimento do oceano e o derretimento de geleiras têm consequências graves para a ecologia das espécies. Por ser o continente mais isolado do planeta, a Antártica favorece as espécies endêmicas – ou seja, que só são encontradas lá. 

As mudanças nas correntes oceânicas influenciam de diferentes formas a fauna local: enquanto algumas espécies já não conseguem sobreviver sob as novas condições, outras prosperam e se multiplicam. Algumas espécies forasteiras, ainda, se tornam invasoras. O vírus da gripe aviária, por exemplo, já foi detectado em aves e mamíferos antárticos

Pesquisadores de todos os cantos do mundo se empenham em monitorar e compreender como essas mudanças estão ocorrendo. Muitas pesquisas ocorrem na Estação Antártica Comandante Ferraz, uma base brasileira localizada na ilha antártica Rei George, na península mais próxima ao extremo sul da América do Sul.

A Enseada Martel, que abriga a base brasileira, perdeu cerca de 13% da cobertura de gelo entre 1979 e 2011. Suas águas são rasas, com cerca de 30 metros de profundidade. O derretimento das geleiras impacta diretamente e indiretamente várias espécies locais ao influenciar na taxa de salinização da água, perturbar ecossistemas com a movimentação dos icebergs e com a deposição de sedimentos ao redor das geleiras.

Foto do fundo do mar na Antarctica.
(LAMP - IOUSP via Youtube/Reprodução)
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Entretanto, monitorar precisamente os impactos dessas mudanças é um desafio complexo: exige equipamentos avançados, colaboração de especialistas em diferentes áreas, investimento em pesquisa de ponta e expedições consistentes para o continente gelado.

Além de tudo isso, é necessário ter dados com os quais se possa comparar. Por exemplo: só dá para saber que 13% do gelo da Enseada Martel já derreteu porque alguém mediu essa área anteriormente.

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Esse mapeamento inicial é um dos trabalhos que o projeto BECOOL (sigla em inglês para Conexões Bentônicas em Altas Latitudes do Hemisfério Sul) desenvolve na região. Apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela Marinha Brasileira e a Armada Chilena (o equivalente da marinha) e por universidades brasileiras, o projeto estuda os efeitos das mudanças climáticas na fauna do fundo do mar da Antártica, e suas conexões com o continente sul-americano.

O biólogo André Calloni é mestrando da Universidade de São Paulo e viralizou nas redes sociais ao mostrar seu cotidiano durante a expedição de dois meses que realizou para a Antártida. O pesquisador utiliza drones subaquáticos que mergulham e filmam as bases das geleiras (veja no vídeo abaixo).

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Depois, Calloni assiste horas de filmagem do fundo do mar para listar todas as espécies de animais que consegue identificar. O método é mais rápido em comparação à coleta de material do fundo do mar, e permite identificar espécies maiores que poderiam passar despercebidas em outras situações.

Depois, os dados coletados são cruzados em uma análise de bioestatística que permite tirar conclusões sobre os fatores que influenciam as populações dos animais.

“É um processo trabalhosíssimo. Foi um ano assistindo horas e horas de vídeo do fundo do mar e planilhando tudo. Depois tem a parte de programação, bioestatística.”, diz Calloni. Ele explica que um dos fatores mais marcantes na diferenciação das faunas é o local: se é uma geleira que termina em água, uma que termina em terra, ou se é uma área sem geleira.

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A fauna se distribui de acordo com características como o tempo de reprodução dos organismos, a duração do ciclo de vida e a mobilidade de cada espécie. “A distribuição da fauna se dá em função dessas características, então a gente se preocupa que, com o aquecimento global, algumas espécies podem acabar sumindo”, explica o biólogo.

O pesquisador espera que os dados obtidos pela sua pesquisa sejam utilizados para compreender o impacto que o rompimento das geleiras tem no fundo do mar. Imagine o impacto de um bloco enorme de gelo que cai na água. Além de provocar ondas fortes, o iceberg também pode arranhar o solo, impactando diretamente a fauna do local, um processo chamado de ice scour.

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