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Pesquisadores descobrem nova espécie de dinossauro no Brasil

O Ypupiara lopai é o primeiro dromeossaurídeo (a família dos velociraptors) encontrado no país. O fóssil original foi destruído no incêndio do Museu Nacional, mas os cientistas conseguiram descrevê-lo a partir de outros registros.

Por Maria Clara Rossini Atualizado em 12 ago 2021, 19h49 - Publicado em 12 ago 2021, 19h06

O Ypupiara lopai é a mais nova espécie de dinossauro tupiniquim. O animal ilustrado acima pertence à família dos dromeossaurídeos, cujo membro mais conhecido é o velociraptor. Eles viveram em algum momento entre 72 e 66 milhões de anos atrás, pouco antes do fatídico asteroide atingir a Terra e extinguir dos dinos.

Os dromeossaurídeos são um subgrupo dos terópodes – aqueles dinossauros que andam em duas patas e são geralmente carnívoros. O tiranossauro, por exemplo, é um terópode. Só que o Ypupiara é mais próximo das aves atuais do que do T. Rex. “É como se ele fosse tio das aves, e os tiranossauros fossem os bisavós”, explica Arthur Brum, doutorando do Museu Nacional e líder da pesquisa. O Ypupiara já tinha penas, mas não conseguia voar, já que as asas só surgiram posteriormente na linhagem das aves.

O fóssil do Ypupiara foi descoberto na cidade de ​​Peirópolis, no Triângulo Mineiro, entre as décadas de 1940 e 1960. Na época, não havia conhecimento sobre o grupo ao qual ele pertence, muito menos técnicas de computação para analisar o achado. Em 2017, Arthur começou a estudá-lo, já suspeitando que se tratava de uma nova espécie. Pesquisadores do Museu da Amazônia, da Universidade Federal do ABC e do Museu de Ciências da Terra também participaram do estudo.

Tudo que havia do Ypupiara era um maxilar com três dentes e outro fragmento da arcada dentária. Infelizmente, o fóssil foi perdido no incêndio do Museu Nacional em setembro de 2018. No entanto, ele já havia sido catalogado, medido e fotografado, o que permitiu com que a equipe seguisse com a pesquisa.

Fragmentos de fóssil do dinossauro Ypupiara lopai
Brum et al./Reprodução

“A gente estava em dúvida se deveria levar a pesquisa à frente, por causa do incêndio. Só que as informações que o fóssil preservava eram muito importantes para estudos futuros, então decidimos publicar”, diz Arthur.

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Além de se tratar do primeiro dromeossaurídeo do Brasil, o que já é importante por si só, a pesquisa ainda pode ajudar outros cientistas a comparar fósseis e possivelmente encontrar novas espécies. “Daqui alguns anos, é provável que já se descubram outros dromeossaurídeos no Brasil”, continua.

  • Migração para o Brasil

    O local em que o fóssil foi encontrado também pode ajudar a reconstruir a história migratória desses dinossauros. Os dromeossaurídeos existem em várias partes do mundo, desde a Ásia até os Estados Unidos. Um grupo específico, chamado unenlagíneo, só existe na América do Sul. Eles já haviam sido encontrados na Argentina, mas os fósseis descobertos por lá datam de 110 a 90 milhões de anos – mais antigos que o Ypupiara.

    Naquela época, havia um grande deserto, chamado Cauiá, separando os territórios que hoje são a Argentina e o Brasil. Os unenlagíneos que moravam no país vizinho não conseguiam atravessar o deserto. A hipótese dos pesquisadores é que, com o passar do tempo, a região foi ficando mais úmida, o que teria permitido a migração e a distribuição dos animais pelo Brasil. Isso explicaria por que encontramos o Ypupiara morando por aqui em um período posterior aos argentinos, há 72 milhões de anos.

    Lá no Triângulo Mineiro, esses dinossauros provavelmente se alimentavam de peixes e pequenos lagartos. A estimativa é que o Ypupiara media de 2,5 a 3 metros do focinho à cauda – um padrão de médio a grande porte para esse tipo de dinossauro.

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