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Pessoas vacinadas precisam continuar usando máscara. Entenda o motivo

Quem toma a vacina fica protegido contra o Sars-CoV-2 – mas pode continuar espalhando o vírus.

Por Carolina Fioratti 9 dez 2020, 17h27 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h30
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Nesta quarta-feira (9), a Health Canada, agência que regula as vacinas no país, aprovou o uso do imunizante contra a Covid-19 desenvolvido pelas farmacêuticas Pfizer e BioNTech. Na última semana, o uso dessa mesma vacina já havia sido regularizado pelo Reino Unido e Bahrein. Mas será que as pessoas vacinadas poderão deixar outras medidas de segurança, como a máscara e o distanciamento social, para trás?

Não tão cedo. A vacina da Pfizer, por exemplo, mostrou eficácia de 95% na proteção contra a doença. Por outro lado, não há dados referentes às possibilidades de pessoas vacinadas continuarem transmitindo o vírus. O novo coronavírus tem como principal porta de entrada o nariz das pessoas. Ele entra na cavidade nasal e começa a se multiplicar, o que gera uma resposta imune do corpo, produzindo anticorpos específicos da mucosa – tecido úmido que reveste o nariz, boca, pulmões e estômago. 

Se você já teve Covid-19, ao entrar em contato novamente com o Sars-CoV-2, os anticorpos da sua mucosa provavelmente já estarão preparados para o combate, impedindo que o vírus alcance outras partes do corpo e que você desenvolva a doença novamente. Mas as vacinas aprovadas até o momento não funcionam assim. Elas são injetadas num músculo do paciente, sendo rapidamente absorvidas pelo sangue, onde começam a estimular o sistema imunológico para que os anticorpos sejam produzidos. 

Nessa fase, os anticorpos devem se espalhar por todo o corpo, tendo algumas regiões de acesso mais fácil, como o pulmão, órgão em que a doença provoca seus sintomas mais graves. Também devem alcançar o nariz e a garganta, mas ainda não se sabe quantos anticorpos chegarão até lá, nem quanto tempo levarão para fazer isso. Dependendo desse tempo, o coronavírus ainda pode se alojar e se multiplicar no nariz. Ele não vai causar a doença de forma grave na pessoa, já que será barrado pelos anticorpos já presentes nos outros órgãos, mas poderá ser “espirrado” por aí.

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As doses de vacina disponíveis atualmente não são suficientes para imunizar um país inteiro de uma vez. Então, é preciso pensar na parcela da população que, mesmo com o imunizante disponível, continuará em risco. É necessário considerar também aquelas pessoas que não poderão tomar a vacina por recomendações médicas, como gestantes, recém-nascidos e crianças, que foram vetadas pela bula da Pfizer.

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Jerica Pitts, porta-voz da Pfizer, disse ao New York Times que o laboratório realizará um ensaio para ver o número de pacientes que foram infectados pelo vírus após a imunização. Eles pretendem analisar a proteína viral N, que não tem relação com a vacina e pode indicar se a pessoa teve contato com o Sars-CoV-2. A empresa de biotecnologia Moderna pretende realizar o mesmo teste.

Em entrevista à Forbes, Mark Kortepeter, um médico especialista em doenças infecciosas, explicou que só será possível reduzir o uso da máscara quando houver uma redução da disseminação viral na sociedade, com mortes e número de infectados em declínio constante. Ainda há um longo caminho a ser percorrido para que possamos relaxar, de fato, as medidas de segurança.

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