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Planta carnívora é encontrada no Piauí após 80 anos sem registros

Achado acende alerta para preservação da espécie, que usa uma armadilha engenhosa para comer outros seres vivos

Por Bela Lobato
18 mar 2026, 10h00 • Atualizado em 18 mar 2026, 14h57
  • O gênero Utricularia é como uma família numerosa: são aproximadamente 250 espécies de plantinhas “primas”, todas aquáticas ou semi-aquáticas, e, em especial, todas carnívoras. Mas não imagine uma planta ameaçadora: elas se alimentam principalmente de animais microscópicos – excepcionalmente, as maiores, conseguem comer insetos aquáticos de 1 centímetro.

    As presas pequenas não fazem as refeições serem menos vorazes: para almoçarem, elas usam mecanismos engenhosos semelhantes a armadilhas. Funciona assim: as plantas são cobertas por utrículos, estruturas parecidas com pequenos sacos, com pressão negativa no seu interior. Quando algum animalzinho minúsculo encosta no exterior da planta, ela abre o utrículo, e a pressão puxa o almoço para dentro do órgão. Essa maracutaia é super rápida, e leva entre 10 e 15 milissegundos. 

    Elas podem ser encontradas em todos os continentes, exceto a Antártida. No Brasil, há 71 membros desse gênero, a maioria na região Nordeste. Há mais de 80 anos, entretanto, ninguém avistava as flores brancas, com manchinhas amarelas e vermelhas da Utricularia warmingii por aqui. 

    Agora, pesquisadores da Universidade Federal do Piauí e do Instituto Nacional da Mata Atlântica reencontraram a bendita em uma área alagada do interior do Piauí: a Lagoa do Bode, no município de Campo Maior, a 80 quilômetros da capital, Teresina.

    Em teoria, ela também ocorre em outras partes da América do Sul, como a Bolívia, Colômbia e Venezuela, mas todos os registros são raros e esparsos. Por aqui, ela já foi registrada em alguns locais do Pantanal e do Sudeste – mas não é vista em São Paulo desde 1939, e, em Minas Gerais, desde 1877. 

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    Por isso, acreditava-se que a U. warmingii já tivesse sido extinta nesses estados – e, quiça, no Brasil todo. 

    “A descoberta no Piauí amplia o conhecimento sobre a distribuição da espécie, mas também evidencia sua vulnerabilidade. Até agora, a população encontrada parece estar restrita a um único local, e novas buscas na região não localizaram outras ocorrências”, destaca, em comunicado, o professor Francisco Ernandes Leite Sousa, mestrando da UFPI e líder da pesquisa.

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    O risco é maior porque os ecossistemas ideais para essas plantinhas, as lagoas rasas e áreas de alagamento temporário, são especialmente ameaçadas pelo avanço das atividades humanas. A expansão agropecuária, o uso de agrotóxicos, a introdução de espécies invasoras, o uso do espaço por humanos… Todas essas são ameaças constantes no dia-a-dia de uma U. warmingii

    Isso sem falar nas mudanças climáticas, que provocam mudanças nos regimes de cheias e secas e outros desequilíbrios ecológicos incalculáveis. Em artigo publicado na revista científica Key Bulletin, os pesquisadores defendem que ela seja classificada oficialmente como “em perigo de extinção”. 

    Isso porque, embora, em teoria, a plantinha seja nativa de toda a América do Sul, os pesquisadores calculam que, na prática, ela ocupe uma área de 36km². Isso significa que, se um único grupo de U. warmingii sumir, é improvável que haja uma recolonização natural, ou seja, que outra população da mesma planta volte a ocupar aquele lugar. Quem se for, vai de vez. 

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