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Por que a memória piora conforme envelhecemos? Novo estudo tenta responder

Com a idade, nosso cérebro tende a atrofiar e funcionar de maneira mais lenta. A raiz do esquecimento depende de defeitos em diversas regiões da massa cinzenta

Por Diego Facundini 15 jan 2026, 10h00 • Atualizado em 16 jan 2026, 10h47
  • À medida que ficamos mais velhos, é comum que também fiquemos mais esquecidos. Isso é normal, e vem gradualmente, de maneira sutil, junto a tantas outras mudanças da idade – tal como as rugas que aparecem na pele, ou os fios descorados que pouco a pouco vão deixando o cabelo branquinho. Principalmente a partir dos 60 anos, é normal que alguns nomes fiquem presos na ponta da língua, ou que, de vez em quando, certas informações desapareçam da mente.

    A depender do estudo, entre 8% e 50% dos idosos se queixam sobre a perda de memória. Vale dizer, porém, que o Alzheimer e outras formas de demência não fazem parte do envelhecimento natural – elas são doenças com características próprias que desencadeiam o esquecimento acelerado.

    Com o passar do tempo, o cérebro perde conexões, diminui de tamanho e, em geral, fica mais lento. Isso afeta as nossas memórias: a massa cinzenta demora mais para resgatar lembranças do passado, e passa a registrar acontecimentos recentes com mais dificuldade.

    A perda de memória não depende de nenhuma região específica do cérebro. Na verdade, ela é a consequência de um processo bem mais complexo do que achávamos. De acordo com uma nova pesquisa publicada no periódico Nature Communications, as mudanças no cérebro associadas a perda de memória acontecem por toda parte, em diferentes regiões do cérebro.

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    Os pesquisadores se basearam em 13 estudos, feitos com 3.737 adultos cognitivamente saudáveis. Eles analisaram mais de 13 mil avaliações de memória, além de 10 mil imagens de cérebros em ressonância magnética. Com a ajuda de simulações digitais, eles concluíram que a relação entre a deterioração de diferentes partes do cérebro e o esquecimento não era linear. Pessoas com uma atrofia cerebral acima da média têm perda de memória acelerada, em níveis desproporcionalmente mais altos.

    Além disso, o estudo também indicou que o esquecimento é a consequência de uma soma de defeitos em diferentes regiões do cérebro que vão se acumulando ao longo do envelhecimento, e não apenas o resultado de uma só estrutura. O hipocampo, porém, é a região que mais pesa na conta. Já era de se esperar: essa região (que fica centralizada no interior do cérebro) é a principal responsável, entre outras coisas, pela formação das nossas memórias. Além dela, também estavam relacionadas a esse processo regiões dentro e abaixo do córtex – a camada de nervos mais superior do cérebro.

    O esquecimento não tem uma única causa genética, e não depende apenas de genes como o APOE ε4, associado ao Alzheimer. Na realidade, o processo todo é muito mais intrincado. Por mais que o esquecimento ande ao lado do envelhecimento, ele não é o resultado direto da idade, mas sim de diversas mudanças em diferentes regiões do cérebro que se acumulam ao longo das décadas. Elas variam muito de pessoa para pessoa, e criam as condições necessárias para o surgimento de doenças que afetam a memória.

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    A imagem que o estudo pinta traz um entendimento que pode melhorar o diagnóstico e tratamento das condições que fazem nosso cérebro esquecer daquilo que já passou.

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