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Ser internado na UTI faz mal à saúde

Um novo estudo revela que, dias depois de dar entrada numa Unidade de Tratamento Intensivo, pacientes têm sua flora intestinal devastada, o que aumenta as chances de infecção e morte.

Por Denis Russo Burgierman - Atualizado em 31 out 2016, 18h59 - Publicado em 1 set 2016, 21h45

Um estudo que acaba de ser publicado por pesquisadores americanos revelou que pacientes internados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) de hospitais perdem em apenas alguns dias grande parte das bactérias do intestino que nos ajudam a permanecer saudáveis. Sem essas bactérias, o território fica livre para outras, que causam infecções e podem levar à morte.

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“Os resultados foram aqueles que temíamos”, disse o líder do estudo, Paul Wischmeyer, da Universidade do Colorado, à revista da Sociedade Americana de Microbiologia, que publicou a pesquisa. Já havia uma suspeita de que o ambiente hospitalar prejudicasse a flora intestinal, mas essa foi a primeira vez que alguém verificou o efeito. Wischmeyer e seu time coletaram amostras das bactérias dos intestinos, da boca e da pele de pacientes da UTI e compararam com as de pessoas saudáveis. O resultado foi bem claro: pacientes da UTI, em apenas 48 horas, perdem boa parte das populações das bactérias firmicutes e bacteroidetes, tidas como saudáveis, e, no lugar, ganharam muitas proteobactérias, que podem ser infecciosas. Em alguns casos extremos, até 95% da população bacteriana do corpo passou a ser de proteobactérias.

O efeito provavelmente se deve à farta ingestão de antibióticos e à alimentação pobre em hospitais. Os estudos sobre a população bacteriana que vive dentro de nosso corpo – a chamada microbiota – são uma novidade na ciência. Há muito tempo se sabe que há bactérias dentro de nós, o que não se suspeitava até bem recentemente é que elas são mais numerosas que nossas próprias células e que desempenham um papel fundamental na manutenção da saúde e podem inclusive estar ligadas a males tão díspares quanto depressão, autismo e ansiedade. Wischmeyer e seu time acreditam que, no futuro, todo hospital terá que monitorar essas populações de microorganismos e que todo tratamente médico terá que incluir um tratamento bacteriano. Fora que os hospitais terão que rever a tradição de oferecer comida insossa e sem frescor.

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