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“Viagra pode tratar e prevenir Alzheimer”. Não é bem assim…

Manchete que correu o mundo se baseia na interpretação equivocada de um estudo científico - que *não* mostrou eficácia desse medicamento contra a doença. Entenda o caso.

Por Bruno Garattoni 16 dez 2021, 15h11

O que a notícia dizia:

Um estudo que analisou os dados de 7,2 milhões de idosos nos EUA constatou que a incidência de Alzheimer é 69% menor entre aqueles que fazem uso do medicamento. Isso supostamente acontece porque ele melhora a circulação sanguínea.

Qual é a verdade: 

O trabalho (1) apontou uma correlação entre as duas coisas (uso de Viagra e menor taxa de Alzheimer), não uma relação causal entre elas. Ou seja, não prova nada. Pode ser só uma coincidência – e a menor incidência da doença entre consumidores do remédio se deva a outros fatores (como o fato de o Alzheimer reduzir o desejo sexual, e portanto o uso de Viagra). O próprio estudo admite isso: “A associação entre o uso de sildenafil (nome científico do remédio) e a menor incidência de Alzheimer não estabelece causalidade, que exigirá a realização de um teste randomizado”.

Fonte 1. Endophenotype-based in silico network medicine discovery combined with insurance record data mining identifies sildenafil as a candidate drug for Alzheimer’s disease. J Fang e outros, 2021.

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