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Por que vírus são tão mortais?

Campeões da sobrevivência, os vírus iniciaram seu reinado de terror há cerca de 3 bilhões de anos, muito antes do ser humano

Por Claudio Angelo
31 jul 1999, 22h00 • Atualizado em 15 dez 2016, 19h55
  • Ele é minúsculo. Só pode ser visto com o auxílio de microscópios potentes. Um dos organismos mais simples que existem, não passa de um pedaço de DNA coberto por uma casca de proteína. Ainda assim, pode matar um homem adulto em menos de dez dias.

    Descoberto em 1976,  o ebola é um vírus, palavra que vem do latim e significa veneno. Nada mais apropriado: apesar da estrutura despojada, os vírus são perigosos predadores da espécie humana. Milhões de pessoas sucumbem todo ano às doenças que os bandidos provocam: dengue, hepatite, sífilis, sarampo e até alguns tipos de câncer. A pior epidemia do século 20, a gripe espanhola, que causou 20 milhões de mortes em 1918, foi obra de um deles, o influenza. Mais recentemente, a Aids, desencadeada pela infecção do HIV, fez outro estrago. Em vinte anos, dizimou 14 milhões.

    Os primeiros integrantes da gangue surgiram há cerca de 3 bilhões de anos, junto com as primeiras células vivas. Assistiram ao nascimento das plantas, dos insetos e dos dinossauros. Sobreviveram a cataclismos e a extinções em massa. E, ao que tudo indica, sobreviverão também a nós, os únicos animais que inventaram maneiras de combatê-los.

    O segredo do seu sucesso está num detalhe crucial: eles não comem nem respiram. Portanto, não gastam energia. Sua única compulsão é fazer cópias de si mesmos. Para isso parasitam células,– seja de uma bactéria ou do seu fígado. Quando a hospedeira morre, eles já partiram para outra. Assim tem sido por milênios. Minúsculos, sim. Mas de frágeis eles não têm nada.

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