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Bruno Garattoni

Por Bruno Garattoni
Vencedor de 15 prêmios de Jornalismo. Editor da Super.
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“Horizon Forbidden West” explora bem a força do PlayStation 5 – e é o melhor game da nova geração

Superprodução da Sony desenvolve com inteligência a história de um futuro em que a humanidade regrediu e a tecnologia só existe na natureza; áudio 3D, alto nível de detalhes gráficos e gatilhos adaptáveis do controle formam a melhor experiência dos novos consoles até agora

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Atualizado em 14 fev 2022, 17h54 - Publicado em 14 fev 2022, 14h05

Superprodução da Sony desenvolve com inteligência a história de um futuro em que a humanidade regrediu e a tecnologia só existe na natureza; áudio 3D, alto nível de detalhes gráficos e gatilhos adaptáveis do controle formam a melhor experiência dos novos consoles até agora

O Homo sapiens é um bicho pequeno, fraco, lento, vulnerável. Mas sabe criar ferramentas e técnicas que superam essas limitações – e transformar a natureza com elas. Inventar tecnologias, da roda ao reator nuclear, é o que nos faz humanos; e nos tornou senhores do mundo. Mas também pode colocar em risco nossa existência (aquecimento global, bombas atômicas, guerra biológica etc). 

Horizon Zero Dawn, produzido pelo estúdio holandês Guerilla e lançado pela Sony em 2017, propõe uma variação interessante dessa distopia clássica: a humanidade regrediu a um estágio tribal, praticamente sem tecnologia, enquanto máquinas robóticas em forma de animais dominaram a Terra. A explicação para o surgimento desses robôs, que só é revelada mais para o final do game, é bastante inteligente. Digna de Isaac Asimov.

A história continua em Horizon Forbidden West, que também foi produzido pela Guerilla (parte da Sony desde 2005) e será lançado esta sexta-feira (18) para PlayStation 4 e 5. Uma praga agrícola misteriosa está devastando as plantações, ameaçando a sobrevivência das tribos – e a protagonista Aloy atravessa os EUA, reduzidos a paisagens selvagens e ruínas, para descobrir o motivo.  

Ela tem um visor de realidade aumentada, que mostra algumas informações sobre o mundo e os robôs, e uma pequena coleção de arcos e flechas. Os gatilhos adaptáveis do controle do PlayStation 5 ficam mais pesados quando você está puxando a flecha, e também mudam de comportamento conforme o tipo de arco. O resultado é soberbo: o controle Dual Sense parece ter sido criado pensando especificamente em HFW.

As situações de combate são desafiadoras e envolventes, tanto pelos recursos do controle quanto pelo comportamento dos animais robóticos. Eles agem de maneiras bem diferentes conforme a espécie – e têm movimentos fluidos, orgânicos. Veja dois exemplos:

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Os gráficos são ótimos. HFW não tem os avanços técnicos de Ratchet & Clank, mas apresenta um mundo rico, extenso e com nível de detalhes muito alto: até as folhas da grama são desenhadas uma a uma. Por isso, é melhor jogá-lo no modo “qualidade”, a 30 quadros por segundo (fps), do que no “performance”, a 60 fps – neste último, a resolução de alguns elementos do cenário fica baixa demais (mesmo no PlayStation 5), gerando muito serrilhamento (aliasing) nos contornos das coisas. 

O áudio é excelente, no mesmo nível de Returnal: você não ouve apenas a direção da qual os animais estão vindo; também a distância em que eles estão. Isso fica mais nítido com o Pulse 3D, o headset do PlayStation 5, mas também funciona bem com fones comuns. 

A soma de elementos gráficos, sonoros e táteis produz o que é, inegavelmente, a melhor experiência da nova geração de consoles até agora. O controle, o som e parte da riqueza visual dependem do PS5, mas o jogo também roda muito bem no PlayStation 4 Pro e no PS4 base – um console lançado há oito anos. A Sony merece aplausos por isso. 

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fotografia
(Sony/Reprodução)

Como seu antecessor, Horizon Forbidden West começa um pouco devagar: nas primeiras 5 ou 6 horas de jogo, você fica enrolado numa politicagem tribal meio enfadonha. Mas isso passa, o jogo se encontra e fica cada vez melhor até o final – uma jornada que, dependendo do seu ritmo, leva 45 a 50 horas. 

É bastante – quase o dobro da obra-prima The Last of Us: Part II -, mas você nem sente. A história se desenrola bem, com detalhes interessantes (numa certa passagem, os holandeses da Guerilla inseriram até quadros de Rembrandt e Vermeer), o surgimento de um lado mais angustiado e menos poliana de Aloy, visões de como a humanidade poderia ser se não tivesse perdido o controle sobre a tecnologia. E se essa perda é ou não, de certa forma, inevitável. 

Horizon Forbidden West sugere que sim. Mas dá a entender que não precisaria ser: mesmo em guerra contra os animais robóticos, Aloy ocasionalmente consegue se conectar a eles – pois os dois lados compartilham uma essência ancestral. A natureza não é só uma matéria-prima para as aspirações humanas; ela também existe, viva, dentro de nós. 

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