Assine SUPER por R$2,00/semana
Imagem Blog

Mulher Cientista Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO

Por Maria Clara Rossini
Todos as semanas, a repórter Maria Clara Rossini entrevista uma pesquisadora brasileira e explica seu trabalho. Acompanhe aqui e no Instagram da Super.
Continua após publicidade

Lucia Neco estuda o comportamento social em aranhas

A #MulherCientista desta semana descobriu que aracnídeos fazem amizade e são bons de cooperação. E agora estuda se é possível expandir a definição de comportamento social para incluir plantas e até bactérias.

Por Maria Clara Rossini
Atualizado em 20 fev 2021, 14h32 - Publicado em 20 fev 2021, 14h30

Se você se lembra da viúva-negra arrancando a cabeça de um macho sempre que pensa em aranhas, não faz ideia do quanto esses aracnídeos podem ser amigáveis. Existem espécies cujos indivíduos colaboram nas caçadas e até constroem teias juntos. Alguns desses bichos de oito patas elegem melhores amigas, com quem preferem passar o tempo. 

Existem mais de 50 espécies de aranhas consideradas sociais. Entender o comportamento desses animais é a paixão de Lucia Neco. Ela começou estudando moscas-das-frutas (as famosas Drosophila) em sua graduação em biologia na UFBA, mas já no segundo ano do curso resolveu mudar da presa para o predador.

No mestrado, ela comparou o comportamento de aranhas com o de insetos que possuem uma estrutura social bem definida, como as abelhas e formigas.

Para isso, Lucia analisou a Anelosimus eximius – uma das espécies mais sociais de aranhas – em situações do cotidiano, como a captura de presas ou durante o rompimento de uma teia. A pesquisadora marcou as aranhas com cores diferentes e observou a interação entre elas. Foi assim que ela constatou a formação de “panelinhas” de aranhas que preferem fazer as atividades em conjunto.

Continua após a publicidade

De maneira geral, as aranhas sociais não possuem hierarquia e divisão de tarefas tão bem definidas quanto às dos insetos, mas elas sabem cooperar para atingir um objetivo em comum. Além de caçarem e consertarem a teia juntas, elas também cuidam dos ovos umas das outras.

Lucia também já realizou pesquisas com mamíferos. Ela investigou a automedicação entre esses animais. Quando estão doentes, alguns deles procuram plantas, solos ou até outros animais que tenham substâncias com algum efeito terapêutico. Há relatos de macacos passando frutas cítricas no corpo para afastar insetos – o mesmo princípio da citronela que compramos como repelente.

Continua após a publicidade

A pesquisadora coletou e revisou estudos que descreviam a automedicação em várias espécies. A abrangência desse comportamento em diferentes mamíferos leva a concluir que o comportamento evoluiu por seleção natural mais de uma vez. Os biólogos chamam isso de evolução convergente

Mas vamos voltar às aranhas. Será que só os animais podem ser considerados seres sociais? Afinal, o que é um comportamento social? São esses temas que Lucia está estudando atualmente na Universidade do Oeste da Austrália. Ela faz doutorado em filosofia da ciência, e explora o que um indivíduo ou comunidade de seres vivos precisam ter para serem considerados sociais. 

Geralmente, os livros e estudos abordam a socialidade apenas em animais. A pesquisadora propõe que o mínimo necessário para essa classificação é que o ser em questão tenha algum grau de autonomia e cognição (que pode ser definida, grosso modo, como a capacidade de perceber o ambiente ao redor e obter informações sobre ele). Isso abre espaço para que plantas e microorganismos também sejam considerados sociais.

Continua após a publicidade

Afinal, bactérias podem interagir entre si para alcançar um objetivo em comum, enquanto as plantas têm capacidade de responder a mudanças no ambiente externo e interagir umas com as outras. No futuro, Lucia pretende voltar ao Brasil e converter esse conhecimento em pesquisas no país.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

A ciência está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por SUPER.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Super impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.