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7. “O vovô virou uma estrela.”

A verdade: Pais são tão criativos quanto mal-informados. Essas historinhas criam falsas expectativas e medos desnecessários

Por 8 mar 2013, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h45
  • André Bernardo

    Adultos que têm muita dificuldade de lidar com a morte acabam por assumir que seus filhos não vão conseguir aguentar essa dor. Aí, em vez de contar o que aconteceu de forma clara e objetiva, tentam protegê-los com historinhas mirabolantes. “Virou uma estrela.” “Caiu em sono profundo.” “Foi morar no céu.” “Viajou para longe.” Tudo errado, segundo especialistas ouvidos pela SUPER. Quando a criança não ouve respostas satisfatórias a suas dúvidas, ela acaba procurando respostas próprias – em geral equivocadas. E essas conclusões só tornam seus medos, suas fantasias e suas culpas ainda mais dolorosos do que a verdade. Tentativas de comparar a morte com o sono são desastrosas porque podem levar a criança a ter medo de dormir e nunca mais acordar. Dizer que alguém “precisou viajar” cria a falsa expectativa de que a qualquer momento ele vai estar de volta. O que fazer então? “O ideal é que os pais não decidam pela criança sobre o que ela deve saber e nem deem explicações além daquelas que a criança está procurando”, diz a psicóloga Vanessa Rodrigues de Lima. “A criança é que deve estabelecer seus limites e perguntar livremente o que bem desejar.” O luto vai ser doloroso? Sim. Mas será também necessário. “Aprender a lidar com perdas desde pequeno é importante para o desenvolvimento da criança porque viver perdas, enfrentar adversidades e sofrer frustrações faz parte do desenvolvimento humano”, diz a psicóloga Maria Helena Pereira Franco, coordenadora do Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto da PUC-SP. “Os pais podem até dizer que o vovô virou uma estrela desde que expliquem à criança que virou uma estrela porque morreu. A morte existe e faz parte da vida. Não deve ser banalizada nem transformada em tabu.”

    Passeio ao funeral
    Crianças que participam de rituais como velórios, enterros e cremações lidam melhor com a perda de pessoas próximas do que as que não participam – concluiu uma pesquisa da Universidade de Columbus com 318 pessoas de 5 a 17 anos que perderam um dos pais.

    A morte, segundo o filho
    A compreensão do fim acompanha o desenvolvimento da criança

    Até 2 anos: O bebê não tem nenhum entendimento – a morte é sentida apenas como separação ou abandono.

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    De 2 a 7 anos: Ela acha que, depois de morrer, uma pessoa pode “desmorrer”, assim como um viajante que volta para casa.

    De 7 a 12 anos: Já entende que a morte é definitiva e irreversível; em muitos casos, sente alguma culpa quando alguém próximo morre.

    Após 12 anos: Compreende que a morte é universal – todos morrem – e passa a enfrentar questões filosóficas, como “Para que viver se vamos morrer?”.

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