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Alguns cuidados para uma boa viagem aérea

Dicas para se fazer uma viagem aérea confortável.

Artur Beltrame Ribeiro

Viajar de avião já virou rotina no mundo de hoje. Nada mais corriqueiro para um número sempre crescente de pessoas, por exemplo, do que usar a ponte aérea Rio-São Paulo, e 50 minutos depois chegar ao destino. Cada vez mais gente, adultos e crianças, também passa pela experiência de viagens aéreas demoradas, haja vista a multidões de jovens brasileiros que embarcam nas férias para Miami, rumo a Disneyworld. Do ponto de vista médico, não há inconvenientes em voar, salvo raríssimas exceções. Mesmo assim, é sempre bom tomar algumas precauções, pois o organismo pode se ressentir da mudança na pressão atmosférica, da diminuição na tensão do oxigênio (a força com que o ar chega aos pulmões), das turbulências e, enfim, das alterações provocadas pelas diferenças de fusos horários. Além disso, é preciso levar em conta o estresse psicológico que uma viagem aérea pode causar em algumas pessoas.

Os jatos modernos mantêm uma pressão atmosférica equivalente à de 1200 metros de altura. Nesse patamar, o ar que normalmente existe nas cavidades do corpo tende a se expandir, aumentando seu volume em cerca de 25 por cento. Por isso, quando se embarca tendo algum tipo de inflamação no nariz, pode ocorrer uma piora pelo bloqueio da trompa de Eustáquio (canal que comunica o ouvido com a cavidade nasal) ou pela abertura dos seios paranasais (cavidades que se comunicam com o nariz). Assim, pode-se vir a sofrer de otite (inflamação de ouvido) ou sinusite (inflamação dos seios nasais). Para diminuir a ocorrência de tais desconfortos, deve-se recorrer a alguns macetes, como bocejar com freqüência, o que se consegue movimentando o maxilar inferior ou engolir ar com o nariz fechado. Mascar chicletes também ajuda. Os passageiros que sabem estar com problemas desse tipo devem naturalmente se prevenir usando descongestionantes nasais.

Já a diminuição da tensão do oxigênio dentro do avião é mínima e bem tolerada pela imensa maioria dos viajantes. Só quem tem problemas cardíacos ou pulmonares severos deve procurar orientação médica antes de se aventurar pelos céus. Pessoas que tenham sofrido recentemente um infarto do miocárdio devem aguardar de dez a catorze dias antes de voar; os hipertensos podem embarcar sem problemas, desde que devidamente medicados. Turbulências durante o vôo podem, algumas vezes, provocar enjôo.

Os sintomas são náusea ou vômito com suor frio e palidez. Medicamentos antienjôo usados profilaticamente auxiliam bastante as poucas pessoas predispostas a esse tipo de complicação. Em geral, as funções do organismo obedecem a um ritmo, denominado circadiano, de 25 horas. Por causa dele a produção de urina, por exemplo, é menor durante a noite. Assim, é possível passar longas horas noturnas sem precisar ir ao banheiro. Mantendo o ritmo, à noite a pessoa só tem vontade de dormir. Mas quando se percorrem vários fusos horários – o que acontece ao viajar digamos entre o Brasil e a Europa – será necessários dois a três dias para o ritmo circadiano voltar ao normal.

Quem já foi ao Japão sabe disso melhor ainda, pois há uma diferença de doze horas entre Tóquio e Brasília. Ficar sentado numa viagem muito longa tende a provocar inchaço nos pés e tornozelos, o que é normal. Para quem tem varizes, porém, é recomendável movimentar-se a cada uma ou duas horas, pois, embora seja raro, pode ocorrer uma flebite (inflamação das veias). Como o ar dentro do avião é mais seco que o da atmosfera, é bom igualmente ingerir maior quantidade de líquidos durante a viagem. Quanto às mulheres que por algum motivo apresentam uma gravidez complicada, é recomendável que procurem o médico antes de uma viagem aérea. No caso de gestações normais, até o oitavo mês não há contra- indicação; depois, só com autorização médica. Finalmente, há os fatores psicológicos, dos quais os mais comuns são o medo de voar e a claustrofobia. Quem tiver pavor de colocar os pés dentro de um avião poderá tomar um tranqüilizante para viajar mais relaxado. Mas ninguém deve socorrer-se no bar: uma dose de bebida a 10 mil metros de altitude equivalente pelo menos a 2 em terra firme. Boa viagem.

 

Artur Beltrame Ribeiro é livre-docente em Medicina da Escola Paulista de Medicina