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As aparências enganam

Retrato Falado - jogo para três participantes, criado por Milton C. de Oliveira Filho, produzido por Toyster Brinquedos Ltda

Se você é um dos privilegiados cidadão que ainda não se tornaram vítimas da violência urbana, deve aproveitar esse período de incubação para exercitar habilidades que serão úteis quando se apresentar a oportunidade. Por exemplo, treinar o reconhecimento de fisionomias, capacidade indispensável para se compor um retrato falado. 

Neste jogo, os participantes se alternam nos papéis de testemunha, detetive e desenhista, tentando identificar um rosto dentre dezenas de outros. Primeiramente, a testemunha sorteia uma carta com uma ocorrência policial, que pode ser um assalto, um seqüestro, etc. Na descrição do caso mencionam-se quantos criminosos estavam envolvidos. Então, a testemunha sorteia uma quantidade de retratos equivalente e os examina, sem que outros vejam. Depois de tentar memorizar as feições, ela põe as cartas com os retratos diante do detetive, mas com as faces para baixo. Esse desvira todos, menos um, o qual a testemunha tentará reconstituir. 

Para tanto, ela deve descrever os detalhes — por exemplo, nariz fino, olhos grandes e assim por diante — enquanto o “desenhista” vai compondo um rosto com um kit de peças de papelão. Quando a testemunha se dá por satisfeita, o detetive seleciona quatro suspeitos, baseado no retrato falado, e os apresenta a ela, que, então, deverá reconhecer um deles como o procurado. Havendo acerto, testemunha e detetive ganham pontos. 

As cartas com ocorrências policiais propõem histórias com dois, três ou quatro criminosos, mas é interessante — e fácil — adaptá-las, incluindo casos que envolvam mais gente. Quanto mais rostos a testemunha olhar, evidentemente mais difícil será lembrar dos detalhes de cada um deles. Isso torna o jogo mais desafiante para os adultos. 

Pela mesma razão, é uma pena que o baralho de “fotos” se limite a apenas 24 cartas. A inclusão de mais rostos e de mais variáveis — como cabelos e orelhas, por exemplo — só enriqueceria o jogo.
Um detalhe certamente passou despercebido: o baralho de “fotos” contém dois rostos absolutamente iguais, embora sejam pessoas diferentes. Se um deles não for eliminado do jogo, corre-se o risco de condenar com convicção um inocente, perdendo pontos preciosos.