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Burger King apresenta nova propaganda com Whopper mofado

O lanche ganhou uma nova receita, livre de conservantes artificiais. Para não ficar para trás, o McDonald's também anunciou mudanças no cardápio.

Por Carolina Fioratti - 18 set 2020, 17h28

Restaurantes de fast-food estão longe de serem considerados saudáveis. Hoje, mais de 60% dos millennials (nascidos entre 1981 e 1999) evitam esses locais ou os frequentam menos de uma vez por semana. Além disso, um terço desse público associa saúde à alimentos orgânicos, o que dificilmente se encontra em hambúrgueres e refrigerantes. 

Por conta disso, as redes de fast-food estão tendo que se adaptar para responder à demanda do público. O Burger King começou sua mudança em fevereiro de 2020, quando anunciou que o Whopper, seu sanduíche mais famoso, teria uma receita livre de conservantes artificiais nos EUA e em alguns países europeus.

Na última quinta-feira (17), a mudança também chegou ao Brasil. Os publicitários adaptaram a versão americana da propaganda para mostrar o acúmulo de mofo no lanche ao longo de 34 dias. Confira:

No vídeo, o lanche é chamado de “comida de verdade”, e os fungos acompanham o slogan “A beleza de não ter conservantes de origem artificial”. O Whopper sem aditivos já pode ser encontrado em alguns restaurantes de São Paulo, e deve chegar aos outros estados do país em 2021. 

De acordo com o Burger King, 70% de seus produtos não possuem ingredientes artificiais. A meta é chegar aos 100% até o final do ano que vem. O UOL indica que, com as mudanças, a empresa deve tirar do mercado 277 toneladas de conservantes artificiais, valor suficiente para encher 18 caminhões.

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O McDonald’s não ficou para trás e, no mesmo dia, anunciou a retirada de corantes e aromatizantes artificiais dos seus produtos. Em 2018, a rede já havia começado a mudar suas receitas, retirando aditivos de todos os restaurantes americanos. No Brasil, esse primeiro corte será feito no Mix de Baunilha, Molho Big Mac, Molho Ranch, Mostarda, Queijo Cheddar (em fatia) e Molho Barbecue. A mudança na composição dos ingredientes afeta, principalmente, os lanches Big Mac, Cheeseburger e Quarteirão, que também não levam conservantes em seus pães.

Em 2019, um combo do McDonald’s de hambúrguer e batata frita viralizou na internet após ter ficado guardado durante mais de dez anos sem mofar. Essa história começou em 2009, quando o último restaurante da rede estava prestes a fechar na Islândia. Um morador teve a ideia de comprar um lanche (e nunca comer).

Depois disso, o combo ficou exposto em diversos lugares, chegando a ter uma transmissão ao vivo dedicada a ele, mas que hoje está fora do ar. Na época, o McDonald’s negou os boatos de que seus produtos teriam excesso de conservantes e explicou que o hambúrguer não se deteriorava devido à falta de umidade no alimento e no ambiente, o que impedia a proliferação de fungos e bactérias.

Apesar de haver um limite de aditivos alimentares considerado seguro pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), nenhuma rede de fast-food brasileira jamais foi acusada por uso irregular de tais ingredientes. Talvez você esteja pensando que essas mudanças deveriam ter sido feitas há tempos, mas não é tão simples encontrar fornecedores que lidem com os produtos frescos. Além de precisar mudar as embalagens, para que não haja risco de contaminação, os produtos também devem durar menos nas prateleiras, sendo necessário alterar os lotes de compras. O Burger King, por sua vez, garantiu que o alimento fresco não vai custar mais ao bolso da clientela. 

Apesar das empresas estarem se conscientizando quanto à alimentação saudável, há quem não entenda as adaptações. No mesmo dia do anúncio do Whopper, o Ministério da Agricultura enviou uma nota ao Ministério da Saúde pedindo a revisão do “Guia Alimentar para a População Brasileira”. No texto, foi solicitada uma mudança na classificação NOVA, que descreve os alimentos de acordo com os níveis de processamento. 

A categorização foi definida pelo Ministério como “confusa, incoerente, que impede ampliar a autonomia das escolhas alimentares”, sendo pedida uma revisão completa do guia por especialistas em ciência dos alimentos. Em outras palavras: pede o fim da classificação que desaconselha o consumo mínimo de ultraprocessados.

O Guia, desenvolvido em 2014, é elogiado internacionalmente, e foi classificado como um dos quatro mais completos do mundo pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), considerando tanto aspectos de saúde quanto ambientais.

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