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KFC pretende vender nuggets produzidos por bioimpressão 3D

Em parceria com uma empresa russa, a rede de fast-food quer produzir carne de frango em laboratório. Entenda.

Por Carolina Fioratti - Atualizado em 21 jul 2020, 17h58 - Publicado em 21 jul 2020, 17h52

A carne produzida em laboratório está cada vez mais perto de integrar, de uma vez por todas, nossas dietas. Na última semana, a rede de lanchonetes KFC anunciou uma parceria com a empresa russa 3D Bioprinting Solutions para fabricar nuggets de frango por bioimpressão.

Diferente do hambúrguer anunciado pelo Burger King em março de 2019, a carne do KFC não será voltada para o público vegano. Isso porque, para garantir o sabor e textura característicos, a rede utiliza em sua receita células de frango em conjunto com material vegetal. Por outro lado, o processo, que também leva farinha e especiarias, não envolve sacrifício animal e pode ser benéfico ao meio ambiente.

Em nota, o KFC cita uma pesquisa publicada no American Environmental Science & Technology Journal, que mostra os impactos desse tipo de produção para o meio ambiente. De acordo com o estudo, haveria uma redução exponencial dos gases de efeito estufa, além da diminuição das áreas agrícolas necessárias para a manutenção das fazendas pecuárias.

Mas há um problema aí. A redução da emissão de poluentes, apesar de benéfica, pode acabar sendo compensada pelos laboratórios, que muitas vezes utilizam fontes energéticas de origem fóssil, o que não ajudaria no controle das mudanças climáticas.

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Apesar de não deixar claro quando os nuggets bioimpressos poderiam entrar no cardápio, o KFC explica que os testes finais devem ocorrer em Moscou entre setembro e dezembro deste ano. Raisa Polyakova, gerente geral do KFC Rússia, disse que a equipe está “trabalhando para disponibilizar os nuggets a milhares de pessoas na Rússia e, se possível, em todo o mundo.”

Carne fake

No início, a bioimpressão ficou conhecida pelas vantagens que apresentava para a medicina, como a possibilidade de “imprimir” tecidos de órgãos, artérias e cartilagens. Agora, a técnica vem ganhando força no ramo alimentício: estima-se que, em 2040, 60% da carne consumida no mundo não será de origem animal.

As carnes produzidas em laboratório, como a do KFC, são originadas a partir de células-tronco de animais adultos. As células são cultivadas em reatores biológicos nos laboratórios. Lá, elas se multiplicam e, aos poucos, vão se diferenciando até virarem fibras – quando ficam com gostinho de carne. 

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Além dessa possibilidade, existe o método das carnes de origem vegetal, produzidas a partir de proteínas extraídas de plantas e que podem ser consumidas por veganos e vegetarianos. Elas ficam com o gosto característico dos animais devido ao sabor artificial que é adicionado, além de gordura e outros componentes.

Em 2019, o KFC começou a testar produtos de frango à base de plantas, oferecidos pela empresa Beyond Meat. Os testes nas cidades americanas de Nashville, Atlanta e Charlotte foram bem sucedidos e, agora, a iguaria será oferecida por tempo limitado em outros 50 restaurantes da Califórnia.

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