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Celibato obrigatório

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
26 Maio 2012, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h54
  • Eduardo Szklarz

    Erro – A imposição de sua obrigatoriedade.

    Quem – Igreja Católica.

    Quando – Desde o século 11.

    Consequências – Escassez de sacerdotes cada vez mais acentuada.

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    A população mundial de católicos quase dobrou nos últimos 40 anos, atingindo 1,18 bilhão de pessoas em 2011. No mesmo período, contudo, o número de padres diminuiu. Passou de 419 mil em 1970 para os atuais 410 mil, segundo o Centro de Pesquisa Aplicada para o Apostolado (Cara, na sigla em inglês). A quantidade de párocos encolheu 32% nos EUA e se reduziu à metade na França. No Brasil, também é cada vez menor o número de homens que decidem vestir batina. Temos a menor proporção de padres entre os países católicos: são 18 mil – mais ou menos um sacerdote para cada mil habitantes.

    Padres em falta

    O principal motivo, reconhecido pela própria Igreja, é a obrigatoriedade do celibato. Em 2004, uma pesquisa do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris) já mostrava o tamanho do problema: 41% dos padres brasileiros confessaram já ter mantido algum envolvimento “extraprofissional” com mulheres. Na Alemanha, um estudo recente revelou que só 10% dos sacerdotes mantêm o voto de castidade.

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    A proibição de casar e ter sexo também pode estar relacionada a um problema bem mais grave: o crescente número de abusos sexuais envolvendo o clero. Mais de 100 mil vítimas já revelaram ter sido abusadas por padres nos EUA. Somente na arquidiocese de Los Angeles, 550 religiosos estão imputados pelo crime. Estima-se que os escândalos já tenham custado US$ 3 bilhões à Igreja Católica americana, gastos principalmente no acordo com as vítimas.

    Duas vocações

    Isso não quer dizer que exista relação direta entre celibato e pedofilia, embora existam especialistas que afirmem ser impossível desconsiderar o fato de que uma coisa pode levar à outra. “A verdade é que existem duas grandes vocações entre os seminaristas”, diz o psicólogo e ex-sacerdote Richard Sipe, especialista em crimes sexuais ma Igreja. “Uma é a vocação para o celibato, e você não precisa ser padre para possuí-la. A outra é a vocação de ser padre. O que ocorre é que muitas pessoas vão ao seminário desejando apenas ser padres, não celibatários. É aí que o conflito aparece.”

    Nem sempre foi assim

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    Houve um tempo em que o celibato não era obrigatório na Igreja Católica. Basta lembrar, por exemplo, que vários personagens bíblicos do século 1 se casaram – a começar pelo apóstolo Pedro, primeiro bispo de Roma. A proibição só foi sancionada no Concílio de Elvira, em 304. E ainda demorou um tempão para ser colocada em prática. “A vida celibatária começou a ser efetivamente imposta entre os séculos 11 e 13”, diz o historiador Marcelo Pereira Lima, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Foi uma das formas que a Igreja de Roma encontrou para proteger seu patrimônio e controlar mais os padres”.

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