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De cueca a menos 110 ºC

Atletas se submetem a temperaturas quase insuportáveis para recuperar a forma física. Vale o sofrimento?

Desde outubro do ano passado, depois de uma partida extenuante do Real Madrid, o craque Cristiano Ronaldo chega a La Finca, o nome da sua mansão, e fica de cuecas em uma câmara vertical de nitrogênio com temperatura abaixo de 110 ºC por até três minutos – mais do que isso, o corpo não aguenta. Para não congelar, o atleta precisa estar com o corpo seco, de luvas, meias e cuecas de cotton. O que parece uma sessão de tortura seria o segredo da sua invejável forma física segundo ele próprio. Cristiano se tornou o mais novo adepto de uma tendência que caiu no gosto dos jogadores de futebol europeus: a crioterapia. A técnica, em si, não é nova. Colocar compressas de gelo sobre os músculos é uma forma antiga de combater a inflamação dos tecidos depois de um exercício repetido. A novidade agora são as câmaras de nitrogênio. Estudos dão conta de que a crioterapia dá, sim, ao atleta uma sensação de alívio porque os aparelhos reduzem a inflamação e melhoram a circulação nos tecidos superexigidos em treinos e partidas de futebol. O que pode explicar por que jogadores como Cristiano Ronaldo desembolsam 45 mil euros (R$ 138 mil, em média) pelos aparelhos. Mas as pesquisas não garantem bom desempenho em campo. As câmaras podem ser puro despercídio. “Não há evidência que suporte a afirmação que as câmeras de crioterapia são mais eficazes do que as tradicionais compressas de gelo”, diz João Durigan, professor de fisioterapia da UnB. Ou seja, soluções muito baratas como uma sacolinha de supermercado ou uma banheira cheias de pedras de gelo talvez provoquem o mesmo efeito, segundo Durigan. O segredo do sucesso de Cristiano Ronaldo deve ser o próprio treino, e não a recuperação.

Imagem: shutterstock